Advogados dizem que ida a Portugal teve caráter informativo e sem vínculo comercial
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva informou ao Supremo Tribunal Federal que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes arcou com os custos de uma viagem do empresário a Portugal, realizada em novembro de 2024.
As informações foram encaminhadas nesta segunda-feira (16) ao ministro André Mendonça. Segundo os advogados, o convite partiu do próprio lobista, com o objetivo de apresentar a produção de medicamentos à base de canabidiol. Lulinha teria participado apenas como visitante, sem qualquer compromisso formal.
De acordo com a defesa, durante a viagem ele acompanhou visitas a possíveis fornecedores e propriedades, mas não participou de negociações, não fez investimentos e nem recebeu propostas de sociedade ou aquisição de cotas no projeto empresarial chamado “World Cannabis”.
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Os advogados sustentam que, mesmo que houvesse algum tipo de envolvimento o que negam não haveria indícios de irregularidade, já que o lobista se apresentava como um empresário legítimo do setor farmacêutico. A defesa argumenta ainda que não há provas de dolo ou conhecimento prévio de eventuais ilegalidades.
No documento, também foi destacado que o interesse de Lulinha pelo tema do canabidiol medicinal está relacionado a questões pessoais, como o tratamento de uma sobrinha com epilepsia, o que teria motivado a curiosidade sobre o assunto.
A defesa afirma que o contato com o lobista ocorreu por meio da empresária Roberta Luchsinger, também investigada na operação que apura fraudes no INSS. Segundo os advogados, a relação entre eles era esporádica e de caráter social.
Ainda conforme o posicionamento apresentado ao STF, Lulinha nega qualquer vínculo comercial com Antonio Camilo e afirma não ter conhecimento sobre supostas irregularidades. Os advogados ressaltam que a imagem pública do lobista só foi questionada após o avanço das investigações.
Antonio Carlos Camilo Antunes está preso desde setembro do ano passado. Em depoimentos anteriores, ele afirmou que sua atuação empresarial é lícita e que seu patrimônio foi construído de forma legal.