Pagamento de precatórios e aumento das despesas pressionam as contas públicas, enquanto governo mantém expectativa de cumprir a meta fiscal com ajustes previstos.
As contas do Governo Federal fecharam o primeiro semestre de 2026 com um déficit primário de R$ 92,2 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Fazenda. O resultado é o segundo pior da série histórica, iniciada em 1997, ficando atrás apenas de 2020, quando a pandemia da Covid-19 levou o rombo fiscal a R$ 417,3 bilhões.
O resultado engloba as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social e representa uma deterioração significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 11,2 bilhões. Na prática, o rombo atual é mais de oito vezes maior.
Segundo o Ministério da Fazenda, o principal fator que pressionou as contas públicas foi o pagamento de precatórios, dívidas da União reconhecidas pela Justiça, cuja quitação foi concentrada nos primeiros meses do ano. Além disso, o aumento das despesas obrigatórias e discricionárias contribuiu para ampliar o desequilíbrio entre receitas e gastos.
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Um déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas, sem considerar os gastos com juros da dívida pública.
Somente em junho, o governo registrou um déficit de R$ 48,2 bilhões, resultado pior que o observado no mesmo mês de 2025, quando o rombo foi de R$ 44,2 bilhões, já corrigido pela inflação.
Os números mostram que as despesas federais cresceram de forma expressiva no primeiro semestre. O gasto total aumentou R$ 149,2 bilhões, alta de 12,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os principais fatores estão o aumento de R$ 44,8 bilhões nos benefícios previdenciários, R$ 35,6 bilhões em sentenças judiciais e precatórios, R$ 20,5 bilhões com pessoal e encargos sociais, além da elevação de R$ 41,9 bilhões nas despesas discricionárias e R$ 5,1 bilhões em créditos extraordinários.
Apesar do avanço das despesas, a arrecadação também apresentou crescimento. As receitas líquidas da União aumentaram 5,8% no semestre, impulsionadas principalmente pelas contribuições previdenciárias, que cresceram 6,1%, pela arrecadação de PIS/Cofins, com alta de 5,7%, e pelo Imposto de Renda, que registrou crescimento de 2,9%.
Mesmo com o resultado negativo, o governo afirma que continua trabalhando para cumprir a meta fiscal de 2026. A legislação prevê um superávit primário de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34 bilhões, com uma margem de tolerância que permite um resultado entre zero e R$ 68 bilhões de superávit.
Na semana passada, a equipe econômica revisou sua projeção para o resultado das contas públicas e passou a estimar um superávit de R$ 10,8 bilhões, considerando as despesas que podem ser excluídas do cálculo da meta fiscal, como parte dos precatórios. Sem essas exclusões, porém, a estimativa continua sendo de um déficit próximo de R$ 52 bilhões.
Economistas avaliam que a arrecadação deve seguir em crescimento nos próximos meses, embora em ritmo mais moderado, diante da desaceleração da atividade econômica e da queda dos preços do petróleo. Por outro lado, a expectativa é de menor pressão sobre as despesas até o fim do ano, especialmente nos gastos discricionários e nos benefícios previdenciários.
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Ainda assim, o desempenho das contas públicas continuará sendo um dos principais desafios da equipe econômica, que busca equilibrar o aumento das despesas obrigatórias com a necessidade de cumprir a meta fiscal estabelecida para 2026.