IPCA caiu 0,32 no mês passado, maior recuo mensal em quatro anos
A deflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto aumentou as apostas de que o Banco Central fará mais um corte na taxa básica de juros na próxima semana. O índice caiu 0,32% no mês, no primeiro resultado negativo em um ano, enquanto a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,22%, abaixo do teto da meta de 4,5%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na terça (15) e na quarta-feira (16) para definir a nova taxa Selic, atualmente em 14% ao ano. A expectativa predominante entre economistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros para 13,75% ao ano. Se confirmado, será o quinto corte consecutivo promovido pelo colegiado.
A queda dos preços em agosto foi influenciada principalmente pela redução da conta de energia elétrica, que recuou 7,63% com o impacto temporário do bônus de Itaipu. Também contribuíram para o resultado as quedas nas passagens aéreas, nos alimentos e em alguns combustíveis. O grupo de alimentação e bebidas registrou baixa de 0,34% no mês.
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Apesar do resultado favorável, economistas alertam que parte da deflação veio de fatores temporários. A inflação de serviços e outros componentes considerados mais persistentes continuam pressionados, enquanto fatores externos, como a alta do petróleo e as incertezas internacionais, podem voltar a elevar os preços nos próximos meses.
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O mercado, porém, avalia que o cenário atual abre espaço para uma nova redução dos juros. Além da desaceleração da inflação, sinais de perda de força da atividade econômica reforçam a expectativa de flexibilização monetária. A decisão da próxima semana será acompanhada de perto porque poderá indicar não apenas o ritmo dos próximos cortes, mas também até onde o Banco Central pretende levar a Selic ao longo de 2026.