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Delcy Rodríguez pede à ONU verificação de libertação de presos políticos na Venezuela, mas números oficiais divergem de ONGs
Foto: Reprodução

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (23) que solicitará ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que verifique oficialmente o número de presos políticos libertados nas últimas semanas em meio ao processo de solturas no país andino. A iniciativa surge em um cenário de intensa pressão internacional para maior transparência e aceleração das libertaçõess.

 

Rodríguez afirmou que 626 pessoas foram libertadas até o momento como parte desse processo em andamento, embora não tenha detalhado o cronograma nem apresentado uma lista pública das pessoas beneficiadas. Ela também anunciou que espera falar por telefone com o alto comissário Volker Türk na próxima segunda-feira para pedir que a equipe da ONU verifique as listas de excarcerados fornecidas pelo governo venezuelano.

 

Apesar da declaração oficial, organizações independentes contestam as cifras apresentadas. A ONG venezuelana Foro Penal, que monitora detentions por motivos políticos, confirmou a soltura de apenas 154 presos políticos desde 8 de janeiro — número muito inferior ao divulgado pela presidente interina. Segundo o grupo, ainda há 777 pessoas detidas sob essa condição no país.

 

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DISCREPÂNCIA DE NÚMEROS E CRÍTICAS

 

A discrepância entre os números oficiais e os dados de organizações de direitos humanos tem alimentado críticas tanto dentro quanto fora da Venezuela. Grupos da sociedade civil e familiares de detidos têm protestado em frente a prisões, denunciando a lentidão das libertações e a falta de transparência sobre quem está sendo solto e sob quais condições.

 

Especialistas e ativistas apontam que, mesmo quando há excarcerados, muitos deles podem estar sujeitos a restrições de liberdade ou medidas administrativas que limitam seus direitos civis, o que complica ainda mais a avaliação sobre o real impacto das solturas.

 

CONTEXTO POLÍTICO

 

O processo de libertação ocorre em meio a um momento delicado para a Venezuela, intensificado pela intervenção dos Estados Unidos em janeiro de 2026 que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro — um episódio que teve repercussão internacional e impacts políticos na região. Em resposta, o governo venezuelano busca demonstrar avanços em direção a gestos de reconciliação nacional, incluindo supostas libertações de presos políticos, embora as divergências nos números continuem recebendo atenção de observadores externos.

 

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O pedido de verificação à ONU representa uma tentativa de legitimar o processo e responder às críticas, mas a persistente discrepância entre as versões oficiais e os relatórios independentes deve permanecer como ponto de tensão nas discussões sobre direitos humanos e transparência na Venezuela. 

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