Delegado afirma que academia na Zona Leste aplicava em um dia a quantidade de produto recomendada para uma semana; três empresários foram indiciados por homicídio com dolo eventual
A investigação sobre a morte de Juliana Faustino Bassetto, ocorrida após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo, aponta para possível uso excessivo de cloro na piscina do estabelecimento. Segundo o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), a quantidade do produto químico aplicada em um único dia equivaleria ao volume normalmente utilizado ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte.
Juliana passou mal durante a atividade e morreu no sábado (7). Outras seis pessoas também apresentaram sintomas após a aula; três delas precisaram ser internadas, incluindo o marido da vítima. A principal suspeita é de intoxicação por cloro, embora o laudo pericial que confirmará a causa ainda não tenha sido concluído. A academia foi interditada pela prefeitura.
De acordo com o delegado, há indícios de que a manipulação inadequada do produto, realizada por um funcionário sem qualificação técnica específica, possa ter provocado a liberação de gases tóxicos no ambiente. Imagens das câmeras de segurança mostram uma fumaça branca saindo de um balde com a mistura química momentos antes do início da aula. Outros registros exibem frequentadores pedindo ajuda logo após o início dos sintomas.
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Em depoimento, o manobrista Severino José da Silva afirmou que realizava a limpeza e manutenção da piscina seguindo orientações enviadas por um dos sócios da academia por meio do WhatsApp. Segundo a polícia, ele não será responsabilizado criminalmente, pois teria agido sob ordens diretas dos proprietários.
A delegacia indiciou os três sócios da C4 Gym Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado morte. Também foi solicitado à Justiça o decreto de prisão temporária dos empresários. O Ministério Público concordou com o pedido, e a decisão judicial ainda é aguardada.
O delegado afirmou ainda que houve tentativa de dificultar as investigações. Segundo ele, os empresários teriam atrasado o depoimento do manobrista responsável pela manutenção da piscina, enviando outro funcionário em seu lugar e omitindo a existência de um segundo empregado que também exercia a função.
Para a autoridade policial, houve descuido e negligência deliberada na condução das atividades do estabelecimento. A defesa dos sócios declarou que eles estão colaborando com as investigações e criticou o indiciamento antes da conclusão dos laudos periciais.
A mãe de Juliana, Nívea Faustino Basseto, relatou o sofrimento da família diante da perda. Em entrevista, afirmou viver um “pesadelo” e expressou o desejo de que outras famílias não passem pela mesma dor.
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As investigações seguem em andamento, aguardando os resultados oficiais da perícia que deverão esclarecer definitivamente as causas da morte e das intoxicações.