Uma denúncia grave envolvendo a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Amazonas (APPBMAM) revela indícios de um possível esquema de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e conflito de interesses que pode ultrapassar os R$ 2 milhões. O relatório, produzido a partir de investigações internas de associados, aponta como principais alvos o presidente da entidade, José Igo da Silva Gomes, e o diretor financeiro, Gutemberg Silva de Oliveira.
Segundo o documento, o suposto rombo financeiro teria ocorrido ao longo dos últimos 24 meses, período que coincide com a criação de empresas vinculadas a familiares dos dirigentes. Entre os pontos que mais chamam atenção está a abertura da empresa Imperatriz Segurança e Vigilância Patrimonial Ltda, em outubro de 2023, com capital social declarado de R$ 1,75 milhão e tendo como sócios o próprio presidente da APPBMAM e sua filha. A investigação levanta suspeitas sobre a origem desses recursos, considerados incompatíveis com a renda, além da possível utilização de “laranjas” para ocultar patrimônio e disfarçar a origem do dinheiro.
Outro núcleo da denúncia envolve a empresa Bezerra Comércio de Materiais e Serviços de Construções Ltda, conhecida como “Tempestade Construção”, administrada por Ursula Cordeiro Bezerra, esposa de Gutemberg.
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O relatório destaca que a empresa utiliza um e-mail institucional ligado à Associação dos Funcionários Públicos do Amazonas (AFPEAM), o que pode indicar uso indevido da estrutura de entidades para fins privados. A ligação entre diferentes associações e empresas privadas é descrita como uma possível rede de influência.
A denúncia também aponta que Gutemberg acumula funções estratégicas em diferentes entidades, inclusive em nível nacional, o que pode ter facilitado a chamada triangulação de recursos — mecanismo que dificulta o rastreamento de valores. O documento descreve ainda uma estrutura considerada organizada, com divisão de funções entre liderança, gestão financeira e utilização de familiares como sócios de empresas com alto capital social, sendo que os valores dessas empresas se aproximam do montante apontado como desaparecido da associação.
Outro ponto sensível envolve a atuação de Ursula dentro da própria APPBMAM, em projetos sociais. A investigação levanta a hipótese de que empresas ligadas a ela possam ter prestado serviços à associação, abrindo margem para possíveis irregularidades como superfaturamento de obras, emissão de notas fiscais irregulares e desvio de recursos destinados a projetos sociais.
Com base nos elementos apresentados, o relatório sustenta que o caso pode se enquadrar na Lei de Organização Criminosa, indicando uma estrutura com liderança, operador financeiro e uso de interpostas pessoas. A denúncia também conecta o suposto esquema ao cenário eleitoral da entidade, apontando que a candidatura de Gutemberg à presidência poderia ter como objetivo manter o controle das contas e evitar auditorias independentes. Há ainda suspeitas de que recursos da própria associação possam ter sido utilizados para financiar campanhas internas.
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Se confirmadas, as irregularidades podem ter repercussão estadual e nacional, já que envolvem dirigentes com atuação em federações da categoria. O documento pede investigação independente, auditorias financeiras e responsabilização dos envolvidos, além de alertar para o risco de destruição de provas. Até o momento, não há posicionamento oficial dos citados, e o espaço segue aberto para manifestações.
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