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Política no Amazonas
DENÚNCIAS DE CORRUPÇÃO E ENRIQUECIMENTO ILÍCITO EXPLODEM E WALDEMIR SANTANA E ROSELANY MENDONÇA SE CALAM: O SILÊNCIO QUE INTRIGA OS METALÚRGICOS
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

*Por Antônio Zacarias - Há momentos na vida pública em que o silêncio deixa de ser estratégia e passa a ser evidência. Não evidência jurídica — isso cabe à Justiça apurar —, mas evidência moral, política e ética.

 

É exatamente esse o ponto em que chegou o escândalo envolvendo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Waldemir Santana, e a administradora financeira da entidade, Roselany Mendonça.

 

As denúncias não vieram de um adversário político.

Não vieram de um sindicalista rival.

Não vieram de um trabalhador revoltado. Vieram de dentro.

 

Vieram de alguém que esteve dez anos dentro do sindicato.

Vieram de quem conheceu os bastidores da entidade.

E vieram, sobretudo, do próprio filho do presidente: o advogado Thiago Medeiros. Isso, por si só, já transforma o caso em algo extraordinário.

 

Quando um filho decide expor publicamente o próprio pai, não se trata de disputa política. Trata-se de ruptura moral. Trata-se de alguém que decidiu pagar o preço familiar de denunciar aquilo que considera errado.

 

Desde que começou a falar, Thiago Medeiros apresentou uma série de acusações graves: patrimônio incompatível, imóveis, bens de alto valor, suspeitas de uso indevido de recursos sindicais e a suposta utilização da administradora financeira como operadora de um esquema patrimonial.

 

Ele gravou vídeos, citou valores, mencionou imóveis. E afirmou ter documentos. As denúncias circularam em Manaus, nas redes sociais, nos bastidores políticos e no meio sindical.

 

E diante de tudo isso, o que fizeram os dois principais alvos das acusações? Nada. Nenhuma entrevista coletiva.

Nenhuma explicação detalhada.

Nenhum esclarecimento público transparente. Nenhuma auditoria aberta à categoria. Apenas silêncio. E silêncio prolongado.

 

Em crises públicas, existem basicamente três caminhos possíveis: negar e apresentar provas; processar o acusador; explicar publicamente cada ponto.

 

Mas existe um quarto caminho, o pior de todos: fingir que nada aconteceu. É exatamente isso que vem ocorrendo.

 

O sindicato movimenta valores expressivos todos os meses. Trata-se de dinheiro que nasce do trabalho de milhares de metalúrgicos do Distrito Industrial, homens e mulheres que acordam de madrugada, enfrentam ônibus lotados e trabalham em linhas de produção que sustentam boa parte da economia do Amazonas.

 

Esse dinheiro não é abstrato. Ele tem dono: o trabalhador. Por isso, qualquer suspeita envolvendo o uso desses recursos exige algo simples e básico em qualquer instituição séria: transparência. Mas transparência, até agora, não apareceu.

 

Em vez de respostas, surgem perguntas que continuam ecoando: Se as denúncias são falsas, por que não desmontá-las ponto por ponto? Se são calúnias, por que não acionar judicialmente o próprio filho que as fez? Se tudo é mentira, por que não abrir imediatamente as contas do sindicato para uma auditoria independente?

 

O silêncio não responde nenhuma dessas questões. Pelo contrário. Ele as amplifica. Porque, na política, no sindicalismo e na vida pública em geral, existe uma regra antiga e conhecida: quem tem explicação, fala.

 

Quem não fala… permite que a dúvida cresça. E dúvida, quando alimentada pelo silêncio, vira desconfiança coletiva. A categoria metalúrgica merece respostas. Manaus merece respostas. A opinião pública merece respostas.

 

Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Mas também não se trata de aceitar que denúncias desse tamanho sejam tratadas com o desprezo de quem acredita que o tempo resolve tudo.

 

O tempo não resolve. O tempo cobra. E quanto mais longo for o silêncio de Waldemir Santana e Roselany Mendonça, mais alto ele vai soar. Porque há momentos em que o silêncio deixa de ser defesa. E passa a parecer confissão moral diante da sociedade.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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