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Deputada propõe título de cidadão honorário brasileiro ao italiano que denunciou Zambelli
Foto: Reprodução

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou, nesta quarta-feira, um pedido para conceder o título de cidadão honorário do Brasil ao deputado italiano Ângelo Bonelli, que comunicou às autoridades do país sobre o endereço de Carla Zambelli (PL-SP), presa pela Interpol na terça-feira. A Câmara dos Deputados vai analisar a solicitação.

 

Segundo Sâmia, Bonelli fez reiteradas críticas à presença de Zambelli em território italiano, país em que possui nacionalidade e ficou foragida por cerca de dois meses. Ainda em junho, o deputado solicitou que fosse assegurada a cooperação com o Brasil para garantir o cumprimento da lei que regula o tratado de extradição entre os dois países.

 

“Pela atuação firme e incansável contra a tentativa de fuga de Zambelli no território italiano, o deputado Ângelo Bonelli desempenhou papel fundamental na colaboração entre as instituições italianas e brasileiras, contribuindo para que uma das principais articuladoras da tentativa de subversão da ordem democrática no Brasil pudesse ser finalmente responsabilizada por seus atos”, defendeu a parlamentar.

 

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Bonelli esteve em contato com as autoridades, insistindo na localização e prisão de Zambelli, chegando a classificar a situação como “uma vergonha” e ressaltando que “ninguém é intocável”, conforme afirma o projeto de Sâmia. "Gesto de gratidão e reconhecimento por sua atuação em defesa da Justiça e da democracia", defende a parlamentar.

 

Antes, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) protocolou outro pedido, na terça-feira, recomendando uma moção de louvor ao deputado. "Agiu com firmeza, ética e transparência, contribuindo de forma decisiva para que a Justiça brasileira avançasse no cumprimento da lei e garantisse a soberania do país", diz o requerimento.

 

Deputado italiano filiado ao Partido Verde Europeu, Angelo Bonelli ganhou notoriedade no Brasil nos últimos anos por suas declarações e ativismo contra políticos brasileiros como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Bonelli tem 63 anos e é uma das lideranças do Aliança Verde-Esquerda, sigla de oposição ao governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. O deputado defende a causa palestina nas redes, e já fez publicações em defesa da Amazônia ao lado da ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Em 2022, declarou apoio a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Desde a notícia da ida de Zambelli para a Itália, ele iniciou uma campanha nas redes e no parlamento italiano pela extradição da brasileira. Nesta terça-feira, publicou na rede X a informação sobre a prisão da deputada: "Carla Zambelli está em uma casa em Roma. Dei o endereço à polícia, e a polícia já identificou Zambelli".

 

Em um dos documentos protocolados por ele, detalhou os crimes atribuídos à Zambelli, que incluem a "invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça — com o objetivo de inserir documentos falsos, entre os quais um mandado de prisão contra o juiz da Suprema Corte". Mencionou, ainda, o episódio em que ela sacou uma arma de fogo e apontou para um homem no meio da rua em meio as eleições de 2022.

 

Presa na capital italiana na terça-feira após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol — que funciona como uma espécie de mandado de prisão internacional —, Zambelli foi levada ontem para a penitenciária feminina de Rebibbia, também em Roma. No entanto, a extradição pode ter seu processo concluído só daqui a dois anos.

 

A prisão da parlamentar havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ela ser condenada a uma pena de dez anos de reclusão por falsidade ideológica e invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

A decisão sobre a extradição caberá inicialmente ao Ministério da Justiça da Itália, que pode arquivar o caso ou manter a prisão provisória. Se optar pela continuidade, o processo segue para a Corte de Apelação de Roma, à qual a Justiça italiana e a defesa da deputada apresentarão seus argumentos. A decisão pode ainda ser levada à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário.

 

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O atual governo da Itália, liderado por Giorgia Meloni, tem afinidade ideológica com parte da base de Zambelli, o que pode influenciar na decisão. Em caso de autorização, a defesa ainda pode recorrer à Justiça administrativa, em instâncias como o Tribunal Administrativo Regional e o Conselho de Estado. A expectativa é que Zambelli passe por uma audiência de custódia nesta sexta-feira.  

 

Fonte: O Globo

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