Equipamentos podem durar até 10 anos, mas exigem cuidados especiais no descarte para evitar a contaminação do solo e da água. Pesquisadores estudam alternativas para reduzir os impactos ambientais.
O crescimento da frota de carros elétricos e híbridos no Brasil tem levantado preocupações sobre o destino das baterias utilizadas nesses veículos. Apesar de serem considerados alternativas menos poluentes durante o funcionamento, os automóveis elétricos apresentam desafios ambientais relacionados à fabricação, ao reaproveitamento e ao descarte adequado dos componentes.
A maioria das baterias utilizadas nesses veículos é produzida com íons de lítio, material que oferece boa durabilidade e eficiência energética. Entretanto, a extração dos minerais necessários para sua fabricação pode provocar impactos ambientais, incluindo o consumo elevado de água e alterações nos ecossistemas das regiões de mineração.
Especialistas alertam que o descarte irregular dessas baterias pode causar danos ao meio ambiente e à saúde da população. Quando abandonados em terrenos, rios ou depósitos de lixo comum, os equipamentos podem liberar substâncias capazes de contaminar o solo, os recursos hídricos e até os lençóis freáticos.
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Segundo o engenheiro eletricista Iury Bessa, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), as montadoras têm papel fundamental na organização da coleta e destinação das baterias usadas. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e consumidores pelo gerenciamento adequado desses materiais.
O especialista explica que, ao atingir o fim da vida útil, a bateria deve ser encaminhada a concessionárias ou estabelecimentos autorizados. Esses locais precisam seguir normas ambientais específicas para garantir o transporte, o armazenamento e a destinação segura dos componentes, evitando riscos de contaminação.
A durabilidade das baterias também depende das condições de utilização. De acordo com o professor Edson Watanabe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os equipamentos podem funcionar por períodos de oito a dez anos. Há estudos indicando que evitar cargas completas frequentes, descargas profundas e carregamentos rápidos excessivos pode contribuir para aumentar sua vida útil.
Mesmo quando deixam de apresentar desempenho suficiente para movimentar um automóvel, as baterias ainda podem ser reaproveitadas. Na Ufam, pesquisadores desenvolvem projetos que utilizam equipamentos de segunda vida no armazenamento de energia, na eletrificação de comunidades rurais da Amazônia e em embarcações elétricas.
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Além da reciclagem e do reaproveitamento, cientistas investigam materiais alternativos ao lítio, como sódio e alumínio, para tornar a produção mais sustentável. A expectativa é que o avanço dessas tecnologias, aliado à fiscalização e à implantação de sistemas eficientes de coleta, contribua para reduzir os impactos ambientais provocados pelo crescimento da mobilidade elétrica.