O vírus que hoje preocupa milhões de pessoas já acompanhava nossos ancestrais há dezenas de milhares de anos
Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) anunciaram uma descoberta surpreendente: o papilomavírus humano tipo 16 (HPV16) foi detectado em múmias congeladas, incluindo o famoso Ötzi, o Homem de Gelo, e o Homem de Ust’-Ishim, encontrados nos Alpes e na Sibéria, respectivamente. Os achados foram publicados em versão pré-print no bioRxiv, em dezembro de 2025.
Segundo os cientistas, a presença do vírus em indivíduos que viveram há 5,3 mil anos e 45 mil anos sugere que o HPV16 já estava presente em humanos muito antes da dispersão populacional fora da África, há cerca de 50 a 60 mil anos.
O QUE É O HPV16 E POR QUE ELE PREOCUPA
O papilomavírus humano (HPV) é um dos vírus sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo. Ele pode causar lesões cutâneas ou mucosas, geralmente indolores, em órgãos genitais de homens e mulheres, com textura que varia de lisa a rugosa e coloração que depende do tom de pele.
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O HPV16 é considerado de alto risco oncogênico, ou seja, tem grande potencial de evoluir para câncer, principalmente cervical, anal e de orofaringe, quando a infecção persiste sem tratamento. Estudos indicam que mais de 70% dos casos de câncer de colo de útero em mulheres estão relacionados a esse subtipo do vírus.
Fato curioso: apesar de ser antigo, o HPV só manifesta sintomas visíveis em uma parcela pequena das pessoas infectadas, e muitas infecções desaparecem espontaneamente. Por isso, a vacinação é a principal ferramenta de prevenção, além do uso de preservativos para reduzir o risco de transmissão.
COMO O VÍRUS FOI DETECTADO EM MÚMIAS
Os pesquisadores analisaram mais de 5,7 bilhões de sequências genéticas coletadas nos fósseis, usando técnicas avançadas de sequenciamento de DNA antigo. O HPV16 foi a cepa mais consistente entre os testes realizados.
No caso do Ötzi, a análise genética indicou que o vírus se assemelha ao subtipo HPV16A1, predominante na Europa. Já no Homem de Ust’-Ishim, a linhagem encontrada foi semelhante ao HPV16A4, associado a populações euroasiáticas antigas. Isso sugere que o vírus já acompanhava diferentes grupos humanos em diversas regiões geográficas.
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Foto: Reprodução
Curiosidade científica: a descoberta reforça a ideia de que os papilomavírus humanos não são patógenos recentes, mas sim companheiros de longa data da evolução humana, possivelmente evoluindo junto com primatas e Homo sapiens ao longo de dezenas de milhares de anos.
IMPACTOS HISTÓRICOS E CIENTÍFICOS
Antes desta pesquisa, algumas teorias sugeriam que o HPV teria sido introduzido em humanos modernos através de cruzamentos com neandertais. A análise das múmias indica que o vírus já existia em populações humanas anatomicamente modernas muito antes desses encontros, ampliando nosso entendimento sobre a evolução dos vírus e das doenças que nos acompanham.
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Mensagem final do pesquisador Marcelo Briones:
"O HPV16 não é apenas um vírus moderno: ele é um viajante do tempo, que nos acompanha há dezenas de milhares de anos, lembrando que a história das doenças humanas é muito mais antiga e complexa do que imaginamos."