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Desenrola 3.0 pode ter efeito limitado no endividamento das famílias, dizem analistas
Foto: Reprodução

Especialistas apontam que renegociação de débitos antigos não reduz movimento de alavancagem e ainda pode alimentar expectativa por novos socorros

O Desenrola Brasil 3.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas do governo federal, pode ajudar consumidores a regularizar débitos antigos, mas não deve provocar uma redução duradoura do endividamento das famílias, segundo análises de especialistas. A avaliação é de que a iniciativa atua principalmente sobre dívidas já acumuladas, sem modificar fatores como juros elevados e comprometimento da renda.

 

Criado por medida provisória publicada na última sexta-feira (25), o programa permite que a União compre, por meio de leilões, carteiras de dívidas bancárias e não bancárias. Podem participar débitos de até R$ 10 mil, com atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias. A expectativa do governo é alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis.

 

A principal mudança em relação às versões anteriores é que o governo poderá adquirir diretamente as carteiras dos credores, com desconto mínimo de 90%, e repassar integralmente esse abatimento aos consumidores. A medida poderá beneficiar até 15 milhões de pessoas, mas a regulamentação do Ministério da Fazenda ainda será necessária para definir como o programa funcionará na prática.

 

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Analistas ouvidos sobre o programa avaliam que a renegociação pode produzir um alívio imediato para pessoas que estão negativadas, mas não necessariamente impedir que novas dívidas sejam acumuladas. A avaliação considera que fatores como custo do crédito, renda das famílias e preços dos alimentos continuam influenciando o orçamento doméstico.

 

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Os números mostram o tamanho do problema. Em agosto, havia 83,9 milhões de pessoas negativadas, com um estoque de R$ 592 bilhões em dívidas com até cinco anos de atraso, segundo dados apresentados pelo governo. A terceira fase do Desenrola pretende atacar parte desse estoque, mas especialistas destacam que a evolução do endividamento dependerá também das condições econômicas nos próximos meses. 

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