Segundo Capobianco, de 2016 a 2023, a taxa de desmate de florestas primárias variou de 11% a 32%, com certa estabilidade, mas agora esse resultado acende um alerta
O aumento de 92% no desmatamento na Amazônia, registrado no mês de maio deste ano, é considerado dramático porque, pela primeira vez, mais da metade da área desmatada corresponde a florestas primárias, consequência dos incêndios que ocorreram no segundo semestre de 2024, avaliou o ministro substituto do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
dados fazem parte do monitoramento diário do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do IInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira, 6, em Brasília. Em maio de 2025, foram detectados 960 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento na Amazônia, enquanto em 2024 foram detectados 500 km², resultado que assustou as autoridades do MMA e do Ministério da Ciência e Tecnologia, principalmente por revelar um percentual elevado de supressão de florestas primárias, que alcançou 51% de todo o desmatamento registrado.
Na comparação de agosto de 2024 a maio deste ano, o aumento foi de 9,1%, com a perda de 3.502 km², contra 3.186 km² do mesmo período do ano passado.Segundo Capobianco, de 2016 a 2023, a taxa de desmate de florestas primárias variou de 11% a 32%, com certa estabilidade, mas agora esse resultado acende um alerta.
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Ele explicou que o Inpe considera três índices para avaliar os impactos no desmatamento: a mineração, considerando também a ação do garimpo ilegal; o corte raso, com remoção total da floresta; e o desmatamento com vegetação, ocasionado por incêndios, que não chegam a colapsar toda a floresta, a qual ainda tem chances de se regenerar.

Foto: Reprodução
Geralmente, o maior impacto no desmatamento ocorre no chamado corte raso, o que já é esperado pelas autoridades do Meio Ambiente, porque envolve vários fatores, inclusive áreas de desmate autorizado. Esse índice ficou em 48% em maio de 2025, enquanto em maio de 2024 foi de 76%. O impacto da mineração foi de 1% no mês passado.
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Capobianco explicou que o aumento dramático sobre as florestas primárias reflete as queimadas registradas no segundo semestre de 2024, na Amazônia, e que começam a aparecer agora com o início do período seco no bioma, com menos nuvens, dando mais possibilidades para a identificação pelos satélites do Deter/Inpe. “Isso não é um desmatamento ocorrido em maio; é uma floresta incendiada, a tal ponto que ela chega agora como uma floresta colapsada e, portanto, não é mais floresta, passando a entrar como desmatamento”, explicou o ministro substituto.
Fonte: Revista Cenarium