Uma década depois, o salto de 6,03 metros de Thiago Braz continua como um dos momentos mais emblemáticos da história olímpica do Brasil.
Há dez anos, o Brasil viveu uma das noites mais marcantes da história do atletismo. Em 15 de agosto de 2016, diante de um Engenhão lotado, sob chuva e vento forte, Thiago Braz superou todas as expectativas ao conquistar a medalha de ouro no salto com vara com a marca de 6,03 metros, estabelecendo um novo recorde olímpico e eternizando seu nome no esporte brasileiro.
Na época com apenas 22 anos, o atleta de Marília (SP) derrotou o então favorito, o francês Renaud Lavillenie, campeão olímpico em Londres-2012, em uma final repleta de emoção e decisões ousadas.
A disputa foi marcada por imprevistos desde o início. A chuva interrompeu a competição poucos minutos após a largada, e problemas no equipamento responsável por ajustar a altura do sarrafo fizeram Thiago esperar cerca de duas horas para realizar seu primeiro salto.
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Mesmo diante das dificuldades, o brasileiro foi avançando nas alturas: superou 5,65 m logo na primeira tentativa, precisou de duas para passar dos 5,75 m e garantiu presença na disputa pelas medalhas ao vencer os 5,85 m.
Quando Lavillenie ultrapassou 5,98 m e assumiu a liderança, Thiago tomou a decisão que mudaria sua carreira: abriu mão dessa altura e pediu que o sarrafo fosse colocado diretamente em 6,03 m, uma marca inédita para ele até então.
O salto perfeito veio na hora decisiva. Lavillenie não conseguiu repetir o feito e o ouro ficou com o Brasil.
RECORDE OLÍMPICO E LUGAR ENTRE OS GIGANTES
Além da medalha, Thiago estabeleceu, naquele momento, os recordes olímpico, sul-americano, brasileiro e sua melhor marca pessoal.
O feito colocou o saltador ao lado de outros ícones do atletismo nacional, como Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz e Maurren Maggi, integrantes da lista de campeões olímpicos brasileiros da modalidade.
Em Paris-2024, o recorde olímpico de 6,03 m foi superado pelo sueco Armand Duplantis, que alcançou 6,25 m.
TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA COM SUPERAÇÃO
Criado pelos avós em Marília, Thiago iniciou a carreira aos 14 anos e passou por diferentes centros de treinamento até chegar à Itália, onde trabalhou com o renomado treinador Vitaly Petrov, responsável por formar lendas do salto com vara como Sergei Bubka e Yelena Isinbayeva.
Antes do ouro olímpico, ele já havia conquistado o título mundial sub-20, em Barcelona, e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura.
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Atualmente, Thiago Braz segue vinculado à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), representando a Associação de Atletismo de Blumenau e treinando sob o comando de Pedro Honorio Nascimento.