Mais de 170 mil bebês foram registrados apenas com o nome da mãe em 2023; especialistas apontam impacto emocional e social da ausência paterna
Neste segundo domingo de agosto, quando o Brasil celebra o Dia dos Pais com homenagens, presentes e reuniões familiares, uma parcela significativa da população não terá a quem abraçar ou ligar. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) revelam que, em 2023, 172,2 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe — sem qualquer referência ao pai biológico. Desde 2016, já são mais de 1,28 milhão de casos em todo o país.
O fenômeno, que especialistas chamam de “abandono paterno”, é mais frequente nas regiões Norte e Nordeste, onde a proporção de registros sem o nome do pai chega a 10% e 8% respectivamente. No Amazonas, por exemplo, foram 9.215 crianças nessa situação apenas no ano passado, um aumento de 9,7% em relação a 2022.
Para a psicóloga infantil Ana Paula Moura, a data comemorativa pode intensificar sentimentos de ausência: “As crianças percebem que não têm essa figura no dia a dia, e o Dia dos Pais funciona como um espelho social. É um momento que pode gerar tristeza, vergonha ou confusão emocional.”
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Embora existam políticas públicas para facilitar o reconhecimento voluntário da paternidade — como mutirões em cartórios e acordos extrajudiciais —, o avanço ainda é lento. Muitos casos exigem ações judiciais e exames de DNA, que nem sempre são acessíveis para famílias de baixa renda.

Fotos: Reprodução
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Enquanto vitrines se enchem de promoções e comerciais celebram pais presentes, milhares de crianças seguem enfrentando uma realidade oposta: a de crescer sem a referência, o cuidado e o afeto de um pai. O Dia dos Pais, para elas, não é sinônimo de festa, mas um lembrete silencioso daquilo que nunca tiveram.