Celebrado no próximo dia 11 de outubro, o Dia Internacional de Sair do Armário é associado à valorização da diversidade LGBTQIAPN+ e à importância de respeitar as diferentes experiências de quem decide compartilhar sua orientação sexual ou identidade de gênero.
A data teve origem nos Estados Unidos e remete à mobilização pelos direitos da população LGBTQIAPN+, reforçando a importância da visibilidade e do orgulho. Ao mesmo tempo, especialistas destacam que revelar a própria orientação sexual ou identidade de gênero não deve ser tratado como uma obrigação ou seguir um roteiro único.
Segundo Januário Mourão, especialista em Sexologia e Sexualidade e responsável pelo projeto “Prazer! Te conhecer”, cada pessoa deve ter autonomia para decidir se deseja falar sobre sua identidade, quando isso acontecerá, como será feito e com quem a informação será compartilhada.
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“Para algumas, falar sobre sua orientação sexual ou identidade pode representar liberdade e alívio. Mas para outras, pode existir medo e diversas outras situações que tornam o processo mais delicado. No fim das contas, não existe uma regra que determine quando alguém deve falar”, explica.
VISIBILIDADE NÃO SIGNIFICA EXPOSIÇÃO
O especialista chama atenção ainda para a diferença entre visibilidade e exposição. Segundo ele, mesmo quando alguém decide falar abertamente sobre sua sexualidade ou identidade de gênero, isso não significa que precise revelar detalhes da vida íntima.
A expressão “sair do armário”, tradução de “come out”, é utilizada para descrever o momento em que uma pessoa revela publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero. Algumas pessoas, porém, consideram o termo inadequado ou pejorativo.
Independentemente da expressão utilizada, o processo deve respeitar os limites e o tempo de cada indivíduo.
Por isso, familiares, amigos e colegas também têm papel importante nesse processo. Pressionar alguém a revelar uma informação pessoal ou insistir em um assunto que a pessoa ainda não deseja compartilhar pode transformar uma decisão íntima em uma exposição indesejada.
ACOLHIMENTO TAMBÉM É RESPEITAR A ESCOLHA
Para Januário, acolher uma pessoa LGBTQIAPN+ significa também respeitar sua autonomia, inclusive quando ela decide não compartilhar publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero.
“Escutar sem transformar a conversa em julgamento, piada ou interrogatório é uma forma de acolhimento”, afirma.
O especialista ressalta que a orientação sexual e a identidade de gênero fazem parte da história de cada indivíduo, mas cada pessoa tem o direito de decidir como deseja viver e compartilhar essa dimensão da própria vida.
A proposta da data, portanto, vai além de incentivar a visibilidade. O Dia Internacional de Sair do Armário também reforça a necessidade de respeito às escolhas individuais, lembrando que não existe momento certo ou forma única para cada pessoa falar sobre quem é.
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Quando essa decisão acontece de maneira voluntária e em um ambiente de respeito e segurança, o ato pode representar liberdade, alívio e inspiração para outras trajetórias.