Especialistas alertam que a banalização da dor menstrual ainda atrasa o diagnóstico e o tratamento de uma das principais causas de infertilidade e dor crônica feminina.
A endometriose continua sendo um dos principais desafios da saúde feminina no Brasil. Apesar de afetar cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva — o equivalente a aproximadamente 8 milhões de brasileiras a doença ainda é frequentemente diagnosticada de forma tardia, prolongando anos de sofrimento físico e emocional.
Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose provoca inflamações, sangramentos e pode levar à formação de aderências e fibroses. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dores durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias relacionadas ao ciclo menstrual, além de dificuldades para engravidar.
De acordo com a ginecologista e obstetra Andressa Rodrigues, docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, a demora no diagnóstico ocorre, principalmente, porque muitos sintomas são considerados normais ou confundidos com outras doenças.
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“Muitas mulheres acreditam que sentir dores intensas durante a menstruação faz parte da rotina feminina. Em outros casos, os sintomas são confundidos com problemas gastrointestinais ou infecções urinárias, o que dificulta a identificação precoce da doença”, explica a especialista.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aponta que a endometriose está entre as principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade feminina. A entidade destaca que a falta de informação e a banalização da dor menstrual são fatores que contribuem significativamente para o atraso no diagnóstico.
Além dos impactos físicos, a doença também afeta aspectos emocionais e sociais. Mulheres com endometriose frequentemente enfrentam limitações nas atividades diárias, prejuízos na vida profissional, dificuldades nos relacionamentos e maior risco de desenvolver ansiedade e depressão.
Dados do Ministério da Saúde revelam que os atendimentos relacionados à endometriose na Atenção Primária aumentaram 76,2% nos últimos três anos. O crescimento reflete uma maior conscientização sobre a doença, mas também evidencia a necessidade de fortalecer o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado.
Entre 2015 e 2025, o país registrou mais de 125 mil internações relacionadas à endometriose, sendo que a maior parte dos casos ocorreu entre mulheres de 30 a 49 anos, período de intensa atividade profissional e reprodutiva.
Especialistas defendem que o diagnóstico precoce é fundamental para controlar os sintomas, evitar o avanço da doença e preservar a qualidade de vida das pacientes. Para isso, apontam a necessidade de ampliar a capacitação dos profissionais de saúde, fortalecer a Atenção Básica e garantir maior acesso a exames especializados e atendimento multidisciplinar no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Embora possa afetar a fertilidade em alguns casos, a endometriose não significa necessariamente infertilidade. Muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente ou com auxílio de tratamentos de reprodução assistida, reforçando a importância do acompanhamento médico adequado e do diagnóstico em estágios iniciais da doença.