Embora o número de casos tenha aumentado, avanços terapêuticos têm reduzido a gravidade e ampliado a sobrevida dos pacientes
A incidência de leucemia no Brasil apresentou crescimento significativo nos últimos dez anos. De acordo com a estimativa mais recente divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), 12.220 novos casos devem ser diagnosticados em 2026 número 21% maior que o projetado em 2016, quando eram esperados 10.070 registros.
No mesmo período, a população brasileira cresceu apenas 3,5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que indica que o aumento dos diagnósticos supera o ritmo de crescimento populacional.
A hematologista Renata Lyrio, da Oncologia D’Or, atribui a alta principalmente ao envelhecimento acelerado da população e à ampliação do acesso ao diagnóstico. Apesar do crescimento nos números absolutos, ela ressalta que os tratamentos evoluíram, reduzindo a gravidade da doença e aumentando tanto o tempo quanto a qualidade de vida dos pacientes.
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A leucemia é um câncer do sangue caracterizado pela proliferação desordenada de células brancas na medula óssea, que acabam substituindo as células saudáveis. A doença é mais comum em homens e atinge especialmente crianças de até quatro anos e idosos acima dos 70.
IMPACTO GLOBAL E DESIGUALDADES
Um estudo internacional baseado em dados do Global Burden of Disease Study 2021, coordenado pela University of Washington, apontou que, embora os casos globais tenham aumentado 28% entre 1990 e 2021, houve redução de 16% nos anos de vida perdidos por morte prematura ou incapacidade (DALYs).
A melhora está associada a avanços no tratamento, como quimioterapias mais eficazes, terapias-alvo e transplantes de medula óssea. No entanto, países de baixa renda ainda enfrentam altas taxas de mortalidade devido ao diagnóstico tardio e à limitação de acesso a terapias modernas.
No Brasil, as desigualdades regionais impactam o desfecho da doença. A leucemia ocupa a 13ª posição entre os cânceres mais frequentes no país, mas figura entre os seis tumores mais incidentes em homens no Nordeste e no Norte.
TIPOS E DIAGNÓSTICO
A leucemia pode ser classificada como aguda ou crônica.
Agudas: evolução rápida e sintomas intensos, como fadiga, febre, infecções frequentes e sangramentos.
Crônicas: progressão lenta, podendo ser detectadas apenas em exames de rotina, como o hemograma.
A doença pode se originar em células mieloides ou linfoides, dando origem a subtipos como Leucemia Mieloide Aguda (LMA), Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), Leucemia Mieloide Crônica (LMC) e Leucemia Linfocítica Crônica (LLC).
TRATAMENTO E PREVENÇÃO
O tratamento varia conforme o tipo e o perfil do paciente. Nas formas agudas, a quimioterapia é a principal abordagem, podendo ser necessária a realização de transplante de medula óssea em casos de maior risco. Já nas leucemias crônicas, as terapias-alvo têm se mostrado eficazes e menos tóxicas.
Entre os fatores de risco modificáveis estão o controle do peso, a interrupção do tabagismo e a redução da exposição a agentes carcinogênicos, como o benzeno.
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A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e consultas médicas anuais com realização de hemograma são medidas recomendadas para favorecer o diagnóstico precoce.