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Dinheiro, política e guerras: como o futebol mundial se tornou refém de interesses bilionários
Foto: JIM WATSON / AFP

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante sorteio da Copa do Mundo de 2026

 Não é novidade, nem escândalo, dizer que o futebol foi prostituído por aqueles que controlam o esporte ao redor do mundo. O escândalo do Fifagate e as escolhas de Rússia e Catar para sediar Copas do Mundo em eleições sob suspeita de suborno e compra de votos são exemplos claros disso.

 

Cobri amistosos da Seleção Brasileira de Futebol em Abu Dhabi, Riad e nos Estados Unidos, em campos de grama artificial piores do que os do colégio dos meus filhos. Quem decidia sede e adversários era uma empresa saudita que comprou o direito de organizar essas partidas. Durante anos, a seleção virou refém comercial de um contrato que acabou levando vários dirigentes envolvidos para a cadeia.

 

Em 2018, a bola rolou normalmente na Rússia, que havia invadido a Crimeia e bombardeava a Síria. Quatro anos depois, foi a vez do Catar sediar o torneio, enquanto organizações de direitos humanos denunciavam a morte de cerca de 6.500 trabalhadores imigrantes em condições desumanas nas obras do Mundial.

 

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Faltam 99 dias para a próxima Copa e os anfitriões são os mesmos Estados Unidos que, anos atrás, defenderam que o torneio fosse retirado da Rússia. Hoje, porém, o país se envolve em um novo cenário de tensão internacional, com conflitos que já deixaram mais de 1.500 mortos em oito países da região do Oriente Médio.

 

Um dos países afetados pelo clima de instabilidade é o Catar, que havia investido milhões para organizar o chamado Festival do Futebol neste fim de mês. A programação inclui a chamada “Finalíssima”, entre Seleção Argentina de Futebol, campeã da Copa América, e a Seleção Espanhola de Futebol, vencedora da Euro, além de um show da cantora Shakira. Seis partidas estavam previstas para acontecer em Doha nesta data Fifa.

 

Estavam — ou aparentemente ainda estão. Isso porque a UEFA informou que vai esperar até o fim da próxima semana para tomar uma decisão sobre a realização da Finalíssima, ou seja, menos de duas semanas antes da partida.

 

No comunicado oficial, a entidade elogiou “os esforços” dos anfitriões e disse que sequer cogita mudar o local do jogo, mesmo com o espaço aéreo da região fechado há dias e ataques com drones contra posições militares dos EUA.

 

O técnico da seleção espanhola, Luis de la Fuente, disse que o mais sensato seria buscar uma alternativa. No dia seguinte, publiquei na Reuters que negociações avançavam para levar o jogo à Europa, possivelmente para Londres. Mas, ao que tudo indica, os milhões do Catar falaram mais alto que a segurança e o bom senso.

 

Faltam 99 dias para a Copa e o Irã já afirmou que participará do torneio, pois conquistou a classificação e não abrirá mão desse direito — uma questão de honra. Resta saber se, até lá, o conflito estará resolvido e se torcedores estarão dispostos a viajar para os Estados Unidos.

 

Mas não há sinais de boicote ou qualquer movimento da FIFA para buscar alternativas. A Copa será disputada nos domínios do presidente Donald Trump, doa a quem doer.

 

Em outro episódio que expõe as distorções do futebol moderno, o jornalista italiano Fabrizio Romano publicou nesta semana um vídeo exaltando o trabalho humanitário da Arábia Saudita para mais de 100 milhões de seguidores em suas redes sociais.

 

Um jornalista fazendo propaganda política e ajudando na lavagem de imagem de uma ditadura por meio da influência que possui no esporte.

 

Pouco depois, ele publicou uma exclusiva envolvendo Cristiano Ronaldo, principal estrela do projeto esportivo saudita.

 

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Um jornalista que, por interesse pessoal, confunde sua audiência e fere princípios éticos básicos da profissão — enquanto promove uma monarquia autoritária que, por coincidência ou não, sediará uma Copa do Mundo FIFA 2034.

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