Em novo despacho, ministro apontou, porém, que está vedado qualquer ato investigativo contra colega no STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal investigue possíveis relações financeiras entre o Banco Master, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e empresas responsáveis pela administração de cemitérios privados de São Paulo. A decisão também foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, após Dino voltar a mencionar fatos relacionados à atuação do ministro André Mendonça.
A nova determinação ocorre dois dias depois de Dino ter enviado a Fachin informações sobre um encontro entre Mendonça e Vorcaro, ocorrido em março de 2025. A reunião aconteceu um dia antes de Mendonça pedir vista em um processo que discutia medidas relacionadas aos preços cobrados pelas concessionárias dos cemitérios da capital paulista. Quando o julgamento foi retomado, o ministro apresentou voto contrário às medidas defendidas por Dino.
Segundo a decisão, empresas ligadas ao grupo de Vorcaro teriam oferecido participações em uma concessionária de cemitérios como garantia para financiamentos que somavam R$ 78 milhões concedidos pelo Banco Master. Dino determinou que a PF apure as operações e que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) levante informações sobre possíveis relações entre fundos de investimento e empresas que administram os cemitérios.
Veja também

Avaliação negativa do governo Lula sobe para 43%, aponta pesquisa Ipsos-Ipec
PT pede ao STF acesso a investigação que envolve ACM Neto no caso Master
Apesar das suspeitas levantadas, Dino determinou que a Polícia Federal não investigue diretamente André Mendonça. Segundo o ministro, qualquer apuração envolvendo a atuação funcional de integrantes do STF deve ser conduzida pelo presidente da Corte e pelo colegiado. Fachin recebeu novamente a comunicação para avaliar as providências que considerar cabíveis.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Dino também afirmou que os elementos reunidos não permitem concluir, neste momento, que decisões de Mendonça tenham sido influenciadas por interesses externos. A apuração deverá se concentrar nas relações entre o Banco Master, as empresas funerárias e eventuais agentes públicos dos Poderes Executivo e Legislativo, enquanto possíveis responsabilidades do ministro permanecem sob análise no próprio Supremo.