Tecnologia brasileira cultiva células em 3D e permite avaliar medicamentos em condições próximas ao organismo humano e animal
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um dispositivo microscópico capaz de cultivar células em três dimensões e realizar experimentos em condições mais próximas das encontradas no organismo. A tecnologia pode abrir caminho para novos estudos de medicamentos, materiais e substâncias tóxicas, além de contribuir para a redução do uso de animais em pesquisas científicas.
O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo. A plataforma utiliza uma técnica conhecida como microfluídica, que permite controlar pequenas quantidades de líquidos dentro de canais microscópicos, regulando fatores como nutrientes, oxigênio e substâncias utilizadas nos experimentos.
Um dos principais diferenciais está no cultivo das células em estruturas tridimensionais, chamadas de esferoides. Diferentemente dos modelos tradicionais, nos quais as células crescem em superfícies planas, o formato 3D consegue reproduzir melhor algumas características encontradas nos tecidos de organismos vivos.
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A plataforma também pode manter líquidos circulando continuamente durante os testes. Após o experimento, o dispositivo pode ser aberto e os esferoides retirados intactos para novas análises. Segundo os pesquisadores, essa característica amplia as possibilidades de investigação e permite estudar com mais detalhes os efeitos de medicamentos e outras substâncias.
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A tecnologia não elimina completamente a necessidade de testes em animais, mas pode ajudar a diminuir a dependência desses modelos e tornar algumas etapas da pesquisa mais próximas das condições reais do organismo. A expectativa da equipe é disponibilizar a plataforma para universidades, institutos e empresas de todo o país até o início de 2027.