Minoritários tentam barrar conversão de R$ 703 milhões em debêntures por ações, enquanto companhia adota medidas para proteger o controle acionário
A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia abriu uma nova frente de disputa entre acionistas minoritários, investidores e credores debenturistas. O principal conflito envolve a conversão de aproximadamente R$ 703 milhões em debêntures em ações da companhia, operação que, segundo os minoritários, pode provocar uma forte diluição de suas participações.
Os acionistas recorreram à Justiça de São Paulo para tentar suspender a conversão dos papéis. Eles alegam que a operação daria tratamento privilegiado aos debenturistas em relação aos demais credores envolvidos no processo de recuperação judicial.
Na terça-feira (29/9), o Ministério Público de São Paulo apresentou parecer favorável ao pedido dos minoritários. O órgão defendeu que os créditos devem continuar submetidos às regras gerais do processo de recuperação judicial, posição que reforça a contestação à conversão das debêntures em ações.
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A disputa ocorre em meio à oscilação dos papéis das Casas Bahia na B3 e ao avanço das discussões sobre o plano de reestruturação da empresa. Diante do aumento da tensão entre os grupos de investidores, a administração aprovou a inclusão de uma cláusula de poison pill no estatuto social.
O mecanismo busca dificultar eventuais tentativas de aquisição hostil do controle da companhia e estabelece regras específicas para operações que possam resultar em uma mudança significativa na composição acionária.
Além da disputa envolvendo as debêntures, as Casas Bahia também enfrentam um impasse milionário com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). A controvérsia envolve dívidas cruzadas originadas no período de associação entre as empresas, quando o grupo ainda estava ligado à antiga Globex e ao Ponto Frio.
O pedido de recuperação judicial foi apresentado pelas Casas Bahia em agosto, envolvendo uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O plano de reestruturação apresentado pela companhia ainda está sob análise e depende de decisões da Justiça para avançar.
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Enquanto o processo segue em andamento, a disputa entre acionistas, credores e a própria administração amplia as incertezas em torno da reorganização financeira e da estrutura de controle das Casas Bahia.