Pressão do PSD e do PL trava definição da chapa para 2026 e amplia tensão no entorno do governador
A articulação para a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) enfrenta impasses que podem atrasar a montagem da chapa em São Paulo. A tensão com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e a pressão do PL pela vaga de vice-governador são hoje os principais entraves nas negociações.
Tarcísio sinaliza preferência por manter o atual vice, Felício Ramuth (PSD). Kassab, no entanto, deseja ocupar ele próprio a posição, mirando uma eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em 2030, caso o governador dispute a Presidência da República.
Além da disputa direta pela vice, há desgaste interno pelo movimento do PSD de atrair quadros de partidos aliados. Kassab, que também comanda a Secretaria de Governo e Relações Institucionais, tem ampliado a base da legenda com prefeitos do interior e deputados estaduais — muitos deles oriundos do PSDB.
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O crescimento do partido dentro da base governista gerou críticas no entorno de Tarcísio. Aliados avaliam que Kassab teria utilizado a estrutura de articulação política do governo para fortalecer o PSD.
Outro ponto de atrito foi a relação conturbada com o então chefe da Casa Civil, Arthur Lima, que recentemente foi deslocado para a Secretaria de Justiça.
Diante desse cenário, cresce a possibilidade de o PSD perder espaço na chapa majoritária. Ramuth não descarta trocar de partido para permanecer como vice, caso Kassab insista em assumir a vaga. O vice-governador deve se reunir com o presidente do PSD até o fim do mês para tratar do tema.
Em outra frente, o Partido Liberal (PL) também pleiteia a posição de vice. O nome defendido pela sigla é o do presidente da Alesp, André do Prado, com apoio do dirigente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Deputados da base governista articulam uma carta de apoio a Prado, ressaltando o papel do Legislativo em pautas estratégicas do governo, como a privatização da Sabesp e a conclusão do Rodoanel Norte.
O PL argumenta que possui a maior bancada da Assembleia Legislativa e que foi decisivo para garantir governabilidade a Tarcísio. Nos bastidores, o governador tem respondido que o partido “não pode ter tudo”.
Apesar das tentativas do PL de filiar Tarcísio ao partido movimento que visava fortalecer uma eventual candidatura presidencial o governador optou por permanecer no Republicanos.
A indefinição também abriu espaço para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que demonstrou interesse em integrar a chapa majoritária. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, já tratou do tema com o governador.
Dirigentes estaduais do MDB afirmam que o partido deseja participar da composição da chapa, citando a aliança firmada no segundo turno de 2022 como base da parceria.
A disputa também envolve as duas vagas ao Senado em jogo. Nos cálculos da base, o PL poderia indicar um nome para a Casa, já que a vaga antes atribuída a Eduardo Bolsonaro não deve ser ocupada por ele.
Entre os nomes defendidos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro estão Gil Diniz, Mario Frias, Marco Feliciano e Sonaira Fernandes. O senador Flávio Bolsonaro também atua nas articulações e defende um candidato de perfil evangélico para compor a chapa ao lado de Guilherme Derrite (PP), considerado favorito a uma das vagas.
Tarcísio, porém, demonstra preocupação com a estratégia. Avalia que insistir em dois nomes fortemente alinhados ao bolsonarismo pode abrir espaço para que a esquerda conquiste ambas as cadeiras, caso lance candidatos com perfil mais moderado.
Publicamente, o governador afirma que a definição ocorrerá mais perto do prazo final de registro das candidaturas e que o principal critério será o desempenho nas pesquisas eleitorais.
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Enquanto isso, a costura política segue marcada por tensões internas, cálculos eleitorais e disputas por protagonismo dentro da base aliada.