NOTÍCIAS
Internacional
Dívida dos Estados Unidos ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez
Foto: Divulgação

Endividamento americano cresceu cerca de um terço desde 2022, enquanto aumento dos juros eleva o custo para manter as contas do governo.

A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (19). O valor representa um aumento de aproximadamente um terço em menos de cinco anos e evidencia a dificuldade do governo americano em conter os elevados déficits fiscais.

 

A marca anterior, de US$ 30 trilhões, havia sido alcançada em janeiro de 2022. Desde então, a necessidade de novos empréstimos federais continuou crescendo, sem uma perspectiva clara de reversão no curto prazo.

 

O aumento da dívida ocorre em um momento de pressão sobre os títulos do Tesouro americano. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou medidas para ampliar a recompra de títulos de longo prazo, numa tentativa de reduzir os custos de financiamento. O anúncio contribuiu para a queda dos rendimentos dos papéis.

 

Veja também 

 

Brasileiros morrem após queda de sete andares durante obra em Portugal

 

Mãe é presa após filho de 2 anos levar 71 porções de cocaína para creche na Argentina

 

JUROS PRESSIONAM ORÇAMENTO

 

Um dos principais problemas relacionados ao crescimento da dívida é o aumento das despesas com juros. Nos primeiros meses do ano fiscal de 2026, o governo americano já acumulou cerca de US$ 1,17 trilhão em custos de juros, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Os juros passaram a representar a terceira maior despesa do orçamento federal, atrás apenas dos gastos com saúde e Previdência Social.

 

Economistas alertam que o aumento dos rendimentos exigidos pelos investidores pode elevar ainda mais o custo de financiamento do governo. Com isso, o Tesouro precisa captar mais recursos para cobrir as despesas, criando uma dinâmica que pode pressionar novamente as taxas de juros.

 

O economista-chefe do Deutsche Bank para os Estados Unidos, Matthew Luzzetti, afirmou que a marca de US$ 40 trilhões deve chamar atenção para o problema, mas não representa, por si só, um ponto de ruptura na trajetória da dívida.

 

MEDIDAS ADOTADAS AO LONGO DOS ANOS

 

A dívida americana cresceu de forma mais acelerada durante a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, períodos em que a arrecadação caiu e os gastos públicos aumentaram.

 

Análises do Deutsche Bank também apontam impactos de diferentes medidas adotadas por governos ao longo das últimas décadas. Entre elas estão cortes de impostos, gastos relacionados às guerras no Iraque e no Afeganistão e programas de estímulo econômico.

 

Os cortes de impostos promovidos durante o governo George W. Bush teriam reduzido as receitas em cerca de US$ 3,3 trilhões até meados da década de 2010. Já os cortes aprovados durante o primeiro governo Donald Trump são estimados em pelo menos US$ 1,5 trilhão em redução de receitas ao longo de uma década.

 

Durante o governo Joe Biden, o American Rescue Plan, aprovado em 2021, teve impacto estimado de US$ 1,8 trilhão a US$ 1,9 trilhão sobre os déficits em dez anos, sem considerar os custos com juros.

 

TETO DA DÍVIDA SE APROXIMA

 

O governo americano também se aproxima do limite legal de endividamento, atualmente estabelecido em US$ 41,1 trilhões.

 

A Fitch Ratings estima que o teto da dívida poderá ser alcançado em meados de 2027. A agência manteve a classificação de crédito dos Estados Unidos em AA+ e alertou para a ausência de medidas consideradas significativas para conter os déficits.

 

Segundo a Fitch, o envelhecimento da população deve aumentar a pressão sobre os gastos públicos nos próximos anos, deixando o país mais vulnerável a eventuais choques econômicos.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram 

 

A preocupação também envolve os efeitos indiretos do endividamento sobre consumidores e empresas. Caso os custos de financiamento continuem elevados, empréstimos, financiamentos imobiliários e de veículos e dívidas no cartão de crédito podem ficar mais caros. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.