Cortes de impostos, aumento de gastos, envelhecimento da população e juros mais altos pressionam as contas americanas, em uma trajetória que atravessa governos republicanos e democratas
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, o equivalente a mais de R$ 200 trilhões, em um novo recorde que aumenta a pressão sobre o governo de Donald Trump. O valor disparou mesmo diante das promessas do presidente de reduzir gastos e colocar as contas públicas em ordem.
O problema, porém, não começou no atual governo. O endividamento americano vem crescendo há décadas, atravessando administrações republicanas e democratas. A dívida praticamente dobrou desde 2017, quando Trump assumiu a Presidência pela primeira vez, e continuou avançando durante o governo Joe Biden.
Uma das principais dificuldades para Trump está no tamanho do déficit entre o que o governo arrecada e o que gasta. Despesas com programas como Previdência e saúde, além dos juros elevados sobre a própria dívida, pressionam o orçamento e tornam mais difícil reduzir o rombo apenas com cortes de despesas. O déficit federal de 2026 caminha para superar US$ 2 trilhões.
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Trump chegou a apostar em uma forte redução dos gastos públicos e criou o Departamento de Eficiência Governamental, liderado inicialmente por Elon Musk. A economia prometida, porém, ficou muito abaixo da meta anunciada: o órgão afirmou ter identificado pouco mais de US$ 190 bilhões em cortes, diante de uma promessa inicial de US$ 1 trilhão.
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Com a dívida já acima de US$ 40 trilhões, o governo americano também precisa lidar com o custo crescente dos juros. O cenário reduz o espaço para novas despesas, aumenta a necessidade de emissão de títulos e mantém o endividamento em trajetória de alta. Para especialistas, o problema é estrutural: enquanto as despesas continuarem crescendo mais rapidamente que as receitas, a dívida seguirá aumentando independentemente de quem estiver na Casa Branca.