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Segredos de Bastidores
DO LIKE AO PODER: Como as redes sociais estão mandando na política e no bolso do cidadão
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

SEGREDOS DE BASTIDORES

 

*Por Antônio Zacarias - A política sempre funcionou na base das pesquisas.

Antes, o foco eram as pesquisas de voto.

Hoje, o que manda muitas vezes são as curtidas, compartilhamentos e visualizações.

 

O FENÔMENO

 

Por trás das câmeras, a galera do poder está preocupada.

Cada vez mais, as decisões políticas parecem ser tomadas pensando no barulho que vão fazer no Instagram ou no TikTok, e não se aquilo realmente funciona na prática.

A lógica mudou.

Governar virou uma disputa eterna para ver quem aparece mais.

 

A NOVA PRIORIDADE

 

Uma obra super importante pode flopar na internet.

Mas uma treta quase sempre bomba.

Uma medida técnica e séria dificilmente viraliza.

Já um vídeo apelando para a emoção alcança milhões rapidinho.

É desse jeito que muitos governos estão trabalhando agora.

 

A POLÍTICA DO ALGORITMO

 

O algoritmo ama emoção.

Ama briga.

Ama revolta.

Ama textão e exposição pública.

Só que administrar uma cidade ou um país exige plano, paciência e resultados que demoram anos para aparecer.

O choque entre essas duas realidades vive gerando faísca.

 

O RISCO

 

Quando a política fica dependente demais do "like" imediato, a coisa complica.

O político passa a viver atrás do assunto do momento. E deixa de lado problemas sérios que exigem decisões difíceis e que a galera pode não curtir de cara.

O resultado é um governo guiado pelo humor do Twitter (X), e não pelo que a população realmente precisa.

 

O BASTIDOR

 

Os assessores não tiram o olho dos comentários.

Ficam caçando as trends.

Analisando o engajamento.

Olhando os gráficos em tempo real.

Em vários gabinetes, já tem gente dizendo que as decisões são discutidas primeiro pelo visual do post e só depois se a ideia é boa mesmo.

 

A PERGUNTA

 

Quem está mandando em quem?

As redes estão mostrando o que a política faz?

Ou a política mudou só para caber nas redes?

A resposta deve estar no meio do caminho.

Mas o problema já está na mesa.

 

O DESAFIO

 

Nenhum político pode ignorar a internet hoje em dia.

Ela é um canal direto e real para falar com o público.

O erro é quando fazer o post vira mais importante do que fazer a obra.

Quando criar conteúdo vale mais do que entregar resultado.

 

A ILUSÃO

 

Nas redes, um post pode parecer a coisa mais importante do mundo.

Mas na vida real, a fila do hospital continua lá.

A rua continua cheia de buraco.

A escola continua precisando de reforma.

Nem tudo que viraliza muda a vida das pessoas de verdade.

 

A LEITURA POLÍTICA

 

A política hoje vive um beco sem saída.

Quem governa precisa trocar uma ideia com o público.

Mas também precisa trabalhar.

Quando isso sai do eixo, a imagem do político cresce, mas o trabalho cai.

Hoje o cidadão já não sabe mais o que é verdade e o que é só marketing.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Quem tem poder sempre curtiu um holofote.

A diferença é que, agora, o holofote cabe na tela do celular.

O desafio de quem governa não é só conseguir seguidor.

É não deixar que a busca por curtidas seja maior do que a obrigação de resolver os problemas reais — aqueles que não dão visualização, mas pesam todo dia na vida do povo.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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