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Do sertão cearense ao Everest: história de Rosier Alexandre vira documentário
Foto: Divulgação

Nascido em uma casa de taipa no interior do Ceará, montanhista superou duas tragédias no Nepal antes de alcançar o topo do mundo em 2016.

A trajetória de Rosier Alexandre, de 58 anos, que saiu de uma infância marcada pela pobreza no sertão do Ceará para conquistar o topo do Everest, ganhou as telas. O documentário “O Engraxate que Escalou o Everest” estreia nesta quinta-feira (10/9), no Canal OFF, contando a história do montanhista que se tornou o primeiro nordestino a alcançar o cume da montanha mais alta do planeta.

 

Nascido e criado em uma casa de taipa em Monsenhor Tabosa, no Ceará, Rosier teve ainda na infância o primeiro contato com a ideia de que existia um mundo muito maior além da realidade que conhecia. Aos 9 anos, ele conheceu um alemão que visitava a cidade acompanhado de um médico local.

 

Sem saber que existiam diferentes idiomas ou países, o menino ficou impressionado com o visitante estrangeiro. A explicação sobre a existência de diferentes nações e sobre o formato da Terra despertou uma curiosidade que acompanharia Rosier pelo resto da vida.

 

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A partir daquele momento, nasceu o desejo de conhecer outros lugares. O menino que até então acreditava que a Terra era plana passou a alimentar o sonho de viajar pelo mundo.

 

Aos 16 anos, Rosier deixou o interior para estudar em Fortaleza, onde fez um curso técnico agrícola. Mais tarde, chegou a iniciar uma faculdade, mas precisou interromper os estudos para trabalhar. Somente depois dos 30 anos concluiu o curso de Administração.

 

Aos 28 anos, enfrentando dificuldades financeiras e emocionais, decidiu retomar o sonho que havia surgido na infância. O objetivo era ambicioso: escalar os sete cumes mais altos de cada continente.

 

Foram mais de cinco anos de preparação, estudos e aprendizado sobre montanhismo. Em 2002, Rosier anunciou publicamente o projeto à imprensa do Ceará. Na época, a ideia foi recebida com desconfiança, mas ele decidiu seguir adiante.

 

O plano de conquistar os sete cumes acabou não sendo concluído. Segundo o próprio montanhista, a prioridade atualmente é a família. Mesmo assim, uma das principais metas foi alcançada: o Everest.

 

DUAS TENTATIVAS MARCADAS POR TRAGÉDIAS

 

A chegada ao topo da montanha, porém, não aconteceu de imediato. Rosier precisou enfrentar duas tentativas frustradas antes de conseguir completar a escalada.

 

A primeira expedição ocorreu em 2014. Durante a jornada, uma avalanche provocada pelo rompimento de uma geleira matou 16 pessoas, entre elas três colegas de Rosier. Após a tragédia, o governo do Nepal fechou a montanha e determinou o retorno dos expedicionários.

 

No ano seguinte, em 2015, o montanhista voltou a tentar. Desta vez, um forte terremoto atingiu o Nepal e deixou milhares de mortos. De acordo com Rosier, 19 pessoas morreram somente no acampamento-base do Everest.

 

Depois das duas experiências, ele retornou ao Brasil frustrado e chegou a se afastar da imprensa diante das críticas e comentários que recebeu. Mesmo assim, decidiu não abandonar o projeto.

 

Em 2016, conseguiu viabilizar uma nova expedição. No dia 21 de maio daquele ano, Rosier finalmente alcançou o cume do Everest.

 

HISTÓRIA CHEGA AO CINEMA

 

Transformar a trajetória em filme também foi um desafio para o montanhista. Depois da conquista do Everest, algumas empresas demonstraram interesse em produzir um longa sobre sua vida, mas as propostas inicialmente envolviam obras de ficção.

 

Rosier queria contar a história real. O projeto avançou quando ele conheceu o trabalho do diretor Ian Ruas e entrou em contato com o cineasta. A parceria deu origem ao documentário.

 

As gravações passaram por quatro países e três continentes. A produção reúne imagens de expedições e depoimentos de importantes nomes do montanhismo, além de pessoas que fizeram parte da vida de Rosier desde a infância.

 

O filme também conta com entrevistas de colegas de escola, uma professora de sua infância e montanhistas reconhecidos internacionalmente. A trilha sonora é assinada por Oswaldo Montenegro.

 

O documentário já recebeu reconhecimento em festivais. A produção foi premiada como Melhor Longa-Metragem Nacional no Festival Internacional YVY, em Teresópolis (RJ), e recebeu o Troféu Corcovado de Melhor Filme pelo júri popular no Rio Mountain Festival.

 

Para Rosier, a produção acabou ficando maior do que imaginava. O montanhista também destaca que o projeto foi financiado em grande parte com recursos próprios.

 

 

“O Engraxate que Escalou o Everest” estreia nesta quinta-feira (10/9), às 23h, no Canal OFF. A produção terá reprises na sexta-feira (11), às 17h, e no sábado (12), às 15h.

 

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A partir de sexta-feira (11), o documentário também estará disponível no Globoplay. 

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