Moeda recua 0,59% na abertura, enquanto mercado reage a decisão da Suprema Corte dos EUA e dados fiscais positivos
O dólar abriu em queda acentuada nesta quarta-feira (25), acompanhando o movimento de desvalorização da moeda norte-americana frente a outras divisas no exterior. Às 9h10, a moeda recuava 0,59%, cotada a R$ 5,1254, após ter fechado a terça-feira a R$ 5,154 menor patamar em quase dois anos. Já o Ibovespa avançou 1,39% na véspera, atingindo novo recorde histórico.
O movimento reflete maior apetite global por risco, em meio à reavaliação das políticas comerciais dos Estados Unidos e à leitura de que a nova rodada tarifária anunciada pelo presidente Donald Trump veio abaixo do esperado pelo mercado.
A cautela inicial dos investidores ocorreu após a implementação da nova política tarifária norte-americana. A alíquota fixada foi de 10%, segundo comunicado da U.S. Customs and Border Protection (CBP), e não de 15%, como havia sido anunciado anteriormente por Trump.
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A medida surge depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, impedir o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977) como base para impor tarifas amplas sem aval do Congresso. A nova taxação se apoia agora na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias de até 15% por um período de 150 dias.
A definição de uma alíquota menor que a esperada reduziu tensões e favoreceu moedas e ativos de mercados emergentes. Ainda assim, especialistas apontam que a incerteza comercial pode persistir, já que o mecanismo permite renovação sucessiva das tarifas.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,13%, a 97,87 pontos, com a moeda americana ganhando terreno ante iene, euro e libra.
BRASIL: SUPERÁVIT E FLUXO EXTERNO FORTALECEM O REAL
No mercado doméstico, o câmbio também reagiu a dados econômicos divulgados nesta manhã. O governo central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, segundo o Tesouro Nacional. Já o estoque de crédito caiu 18,9% no mês, conforme informou o Banco Central do Brasil.
Analistas avaliam que o ambiente externo mais favorável, aliado ao diferencial de juros elevado no Brasil, tem impulsionado o fluxo de capital estrangeiro para a B3, fortalecendo o real.
Além disso, há percepção de que as novas tarifas americanas, por serem menores que as anteriormente aplicadas a alguns produtos brasileiros, podem tornar o país relativamente mais competitivo no cenário internacional.
BOLSA SOBE COM PETROBRAS E BANCOS
O Ibovespa também foi beneficiado pelo avanço das ações da Petrobras, impulsionadas pela alta do petróleo em meio às tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. O setor bancário igualmente registrou ganhos, após um movimento de realização na sessão anterior.
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No exterior, bolsas europeias operaram próximas da estabilidade, enquanto Wall Street avançou, com destaque para empresas de tecnologia. O ambiente global mais favorável aos ativos de risco contribuiu para a continuidade da valorização do mercado brasileiro e da queda do dólar frente ao real.