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Dólar hoje: cotação abaixo de R$ 5,50 é explicada por Trump, Irã e Copom; entenda
Foto: Reprodução

Moeda americana fechou nesta segunda-feira no menor patamar em 8 meses, a R$ 5,485

O dólar comercial teve mais um dia de queda nesta segunda-feira e encerrou o dia cotado a R$ 5,485. Foi um recuo de mais de 1% em um único dia. E, só este ano, a moeda já caiu mais de 10%. Além disso, desde outubro do ano passado, o dólar não ficava abaixo de R$ 5,50.Mas o que explica a sequência de desvalorizações da moeda americana? E por que este movimento se acentuou nesta segunda-feira?

 

O gatilho ontem para um tombo mais forte do dólar veio de dois fatores: a expectativa de que Irã e Israel possam buscar uma solução diplomática para o conflito, e a avaliação de que a taxa básica de juros brasileira, a Selic, permanecerá em patamar elevado.

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira sua reunião de dois dias e, amanhã, vai anunciar a nova taxa básica de juros Selic da economia brasileira. A expectativa é que a Selic seja mantida em 14,75% ao ano ou suba para 15% ao ano.

 

 

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Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, explica que o fato de o conflito entre Irã e Israel não ter se espalhado para outros países do Oriente Médio trouxe alívio para os investidores, o que permitiu uma certa retomada de risco ontem nos mercados. Isso beneficiou o real e outras moedas emergentes. Sinais de que o Irã busca uma saída diplomática também ajudaram.

 

Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, avalia que a posição tomada por outros líderes globais diminuiu a percepção de risco do mercado:

 

— O fato de os EUA não entrarem nesse conflito como um apoiador direto da briga ajuda bastante. O próprio (presidente Donald) Trump tomar essa posição mais de mediador acabou trazendo alívio — afirma.Trump afirmou na segunda-feira que Irã e Israel deveriam conversar e disse acreditar que o governo iraniano deseja negociar uma redução nas tensões.

 

À noite, porém, ele postou em sua rede social que “Todos devem evacuar Teerã imediatamente!” Com isso, o barril do WTI negociado na Ásia subia 2%.
Outro fator a reforçar o otimismo do mercado veio do Boletim Focus, do Banco Central, com as projeções de analistas. A estimativa para a inflação recuou para 5,25%. Além disso, o IBC-Br, índice de atividade do BC, teve crescimento de 0,2% em abril.

 

Também impulsionaram o real, segundo Gomes, dados econômicos mais fortes da China, maior parceiro comercial do Brasil. As vendas no varejo cresceram 6,4% em maio, na comparação anual. O indicador acelerou dos 5,1% de abril e superou as expectativas, de 4,9%, de acordo com pesquisa do Wall Street Journal.

 

Globalmente, o dólar vem em trajetória de enfraquecimento desde o início do ano. Marianna explica que uma série de fatores alimentou no mercado uma desconfiança sobre os ativos americanos. Um desses aspectos, diz a especialista, é o déficit trilionário do país, que tem levado os investidores a exigir um prêmio cada vez maior para se alocar recursos, em especial na renda fixa, nos Estados Unidos.

 

— A moeda reflete não só a política monetária, mas também a fiscal. As pontas fiscais nos EUA têm ficado gradativamente pior com o tempo — afirma Marianna. — E há um impacto na moeda americana em função dessa percepção do endividamento.

 

Outra questão que pesou no dólar este ano foi a perspectiva de desaceleração da economia americana, como resultado da guerra comercial deflagrada por Trump.A nova mínima do dólar comercial no ano ocorre às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sobre a taxa básica de juros, a Selic. As apostas do mercado estão divididas entre uma nova alta, de 0,25 ponto percentual, e uma manutenção em 14,75%.

 

Independentemente da decisão, o elevado diferencial de juros entre o Brasil e outras nações — em especial, os EUA — tem sido uma das causas para a queda do dólar no país, afirma Costa. Mesmo que a Selic seja mantida no patamar atual, ela continuará em um nível restritivo, o que favorece uma operação chamada carry trade, na qual o investidor toma recursos em um país onde os juros são baixos e aplica em outro onde a taxa é elevada, lucrando com a diferença.

 

Os juros futuros fecharam em queda, exceto no prazo mais curto. A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu de 14,84% a 14,88%. Já para para 2029, caiu de 15,535% a 13,465%; e para 2030, a taxa cedeu de 13,59% a 13,52%.

 

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Os EUA também tomarão uma decisão sobre sua taxa de juros na quarta-feira. A projeção é que eles não sejam alterados este mês e que o ciclo de redução comece em setembro. O apetite por risco não se restringiu ao câmbio: o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, a B3, encerrou em alta de 1,49%, aos 139.256 pontos. Ele foi puxado pelo avanço da Vale (de 3,2%, a R$ 53,83), e do setor financeiro. 

 

Fonte:O Globo

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