Mercado acompanha impacto do payroll americano e sinais do Banco Central sobre possível corte da Selic em março
O dólar iniciou esta quinta-feira (12) próximo da estabilidade, acompanhando o desempenho da moeda norte-americana no exterior, onde registra leve desvalorização frente a outras divisas. Às 9h43, a moeda recuava 0,07%, cotada a R$ 5,1834.
Na quarta-feira (11), o dólar fechou em queda de 0,19%, a R$ 5,186, enquanto a Bolsa brasileira avançou 2,18%, encerrando o pregão aos 189.699 pontos. O desempenho positivo foi impulsionado por um novo fluxo de recursos estrangeiros para o país, em meio à repercussão de dados mais fortes do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
O relatório de emprego conhecido como payroll mostrou a criação de 130 mil vagas em janeiro, acima das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam abertura de 70 mil postos. Em dezembro, haviam sido criadas 48 mil vagas. Já a taxa de desemprego recuou para 4,4%.
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Os números reforçam a percepção de resiliência do mercado de trabalho norte-americano, o que pode dar margem ao Federal Reserve (Fed) para manter os juros inalterados por mais tempo, enquanto monitora a trajetória da inflação.
Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, os dados ainda não alteram de forma decisiva o cenário. “O mercado de trabalho americano segue resiliente, enquanto a inflação permanece pressionada. Os próximos indicadores devem oferecer maior clareza para a decisão de política monetária”, afirmou. A expectativa da instituição é de manutenção da taxa básica dos EUA no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião de março.
Juros elevados nos Estados Unidos tendem a atrair recursos para a renda fixa americana, considerada de baixo risco. Por outro lado, a estratégia de diversificação de investidores globais — intensificada após políticas adotadas pelo governo Donald Trump tem favorecido mercados emergentes, incluindo o Brasil. Esse movimento resultou em forte entrada de capital estrangeiro na B3 em janeiro e segue em fevereiro.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, mesmo com o payroll reduzindo as chances de cortes agressivos pelo Fed, o mercado avaliou o relatório como insuficiente para interromper o fluxo de recursos para emergentes.
EXPECTATIVA SOBRE A SELIC
No cenário doméstico, investidores também acompanham os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). Parte do ingresso de capital na Bolsa está relacionada à expectativa de início de um ciclo de cortes da taxa Selic nas próximas reuniões.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira que a instituição deve adotar postura cautelosa, defendendo serenidade e parcimônia na condução da política monetária. Em evento promovido pelo BTG Pactual, ele comparou o BC a um “transatlântico”, que não pode realizar mudanças bruscas de direção.
“O Banco Central tem que tentar suavizar os ciclos. Diante do grau de incerteza, a atitude do Copom foi esperar para iniciar o ciclo com maior confiança”, declarou.
As opções negociadas na B3 indicavam 66% de probabilidade de corte de 0,5 ponto percentual na Selic em março, 24% de chance de redução de 0,25 ponto e 4,25% de possibilidade de corte de 0,75 ponto.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continuaseno apontado como fator relevante para a atração de investimentos estrangeiros, contribuindo para a valorização do real nos últimos meses.
ELEIÇÕES E CENÁRIO POLÍTICO
Galípolo evitou antecipar decisões futuras e afirmou que o Banco Central não altera sua atuação em função de pesquisas eleitorais. Ele ressaltou que o horizonte da política monetária ultrapassa o período das campanhas.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando os cenários de primeiro turno testados, com intenções de voto entre 35% e 39%. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em segundo lugar, com percentuais entre 29% e 33%.
Para Lilian Linhares, sócia da Rio Negro Family Office, o mercado ainda não precifica de forma agressiva o risco eleitoral. “A principal preocupação segue sendo a trajetória fiscal no próximo mandato. O foco agora está no ritmo de entrada de capital estrangeiro”, afirmou.
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No cenário corporativo, as ações da Suzano e da TIM registraram fortes altas, de 13% e 8%, respectivamente, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. Petrobras e Vale também encerraram o dia com ganhos superiores a 3% cada, contribuindo para o desempenho positivo do Ibovespa.