IPCA-15 acima do esperado pressiona câmbio, enquanto balanços e cenário externo influenciam Bolsa
O dólar iniciou esta sexta-feira (27) em leve alta, refletindo a divulgação do IPCA-15 de fevereiro, que acelerou para 0,84%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O indicador de inflação ficou acima das expectativas do mercado e reforçou a cautela dos investidores.
Por volta das 9h09, a moeda norte-americana avançava 0,24%, cotada a R$ 5,1516. Na sessão anterior, o dólar já havia subido 0,27%, encerrando a R$ 5,138. A Bolsa brasileira, por sua vez, fechou com leve recuo de 0,12%, aos 191.005 pontos.
Além da inflação, o mercado acompanha a formação da Ptax de fim de mês taxa calculada pelo Banco Central do Brasil com base nas cotações do mercado à vista e usada como referência para liquidação de contratos futuros. Nesse período, é comum que investidores tentem influenciar a taxa conforme suas posições compradas ou vendidas em dólar.
Veja também

Paquistão lança bombardeios no Afeganistão e declara ''guerra aberta''; Talibã reage com ataques
Argentina e Uruguai aprovam acordo Mercosul-União Europeia
EXTERIOR: NVIDIA PRESSIONA NASDAQ
No cenário internacional, o foco esteve nos resultados corporativos. A Nvidia, uma das gigantes globais de tecnologia, reportou lucro líquido de US$ 120 bilhões no ano fiscal de 2025, acima das projeções.
Impulsionada pela corrida global por inteligência artificial, a companhia também estimou receita de US$ 78 bilhões no trimestre atual, superando o consenso de US$ 72,1 bilhões.
Apesar dos números robustos, as ações da empresa caíram cerca de 5%, o que levou o índice Nasdaq Composite a recuar mais de 1%. Analistas apontaram que, embora os resultados tenham sido fortes, o mercado já operava com expectativas elevadas.
O setor de tecnologia segue sob escrutínio diante dos elevados investimentos previstos por grandes empresas em infraestrutura de IA. Hiperescaladores como a Meta Platforms projetam aportes bilionários nos próximos anos, especialmente em data centers e processadores.
DESTAQUES CORPORATIVOS NO BRASIL
No Brasil, os balanços também movimentaram os ativos.
A Marcopolo, maior fabricante de carrocerias de ônibus da América Latina, registrou lucro líquido de R$ 341,7 milhões no quarto trimestre, alta de 7,2% na comparação anual e acima das expectativas. As ações subiram 5%.
Já a Rede D'Or apresentou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, avanço de 39,2% sobre o mesmo período de 2024. Ainda assim, os papéis recuaram 5%, pressionados por expectativas consideradas elevadas após resultados anteriores.
A Vale caiu 0,88%, em movimento de realização de lucros após acumular alta de cerca de 25% no ano. A WEG também recuou 1,78%, mesmo com margem Ebitda de 22,1% em 2025 levemente inferior aos 22,4% registrados em 2024.
TENSÕES GEOPOLÍTICAS E PETRÓLEO
As negociações entre Estados Unidos e Irã também estiveram no radar. A terceira rodada de tratativas em Genebra discute o programa nuclear iraniano em meio ao aumento da presença militar americana no Oriente Médio.
Declarações de autoridades iranianas sinalizaram possibilidade de acordo, caso questões nucleares sejam tratadas separadamente de outros temas. O mercado, porém, segue cauteloso.
O petróleo Brent oscilou entre US$ 69 e US$ 72,5 ao longo do dia, encerrando próximo da estabilidade, a US$ 70. As ações da Petrobras refletiram a volatilidade e fecharam com leve queda de 0,15%.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Com inflação doméstica pressionando e incertezas externas no radar, investidores mantêm postura defensiva enquanto avaliam os próximos desdobramentos econômicos e geopolíticos.