Um novo eclipse lunar está previsto para ocorrer no próximo dia 3 de março e deve chamar a atenção de curiosos e especialistas em astronomia ao redor do mundo. No entanto, desta vez, o Brasil não estará na melhor posição geográfica para acompanhar o fenômeno completo conhecido popularmente como “Lua de Sangue”.
O eclipse acontece quando há um alinhamento preciso entre o Sol, a Terra e a Lua. Nesse momento, a Terra se posiciona entre os dois astros e projeta sua sombra sobre a superfície lunar.
Segundo o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o fenômeno ocorre quando a Lua passa atrás da sombra terrestre.
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“A Terra se coloca entre o Sol e a Lua, fazendo com que a Lua fique dentro da sombra projetada pelo nosso planeta. É um alinhamento entre os três corpos celestes”, explicou.
POR QUE A LUA FICA VERMELHA
Durante o eclipse parcial, é possível observar a sombra da Terra avançando lentamente sobre a Lua cheia, criando o efeito visual semelhante a uma “mordida” escurecendo o disco lunar.
Já no eclipse total acontece o fenômeno mais aguardado: a coloração avermelhada da Lua. Isso ocorre porque a luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de atingir a Lua, filtrando as cores.
“A luz azul é espalhada pela atmosfera e apenas a parte vermelha consegue chegar até a superfície lunar, o que provoca o tom avermelhado semelhante ao pôr do sol”, explicou o astrônomo. O termo “Lua de Sangue” não é científico, mas se popularizou justamente por causa desse efeito visual.
Apesar da expectativa, a maior parte do território brasileiro verá apenas o eclipse penumbral, fase em que ocorre um leve escurecimento da Lua, muitas vezes difícil de perceber a olho nu.
Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá por volta das 6h da manhã, quando a Lua já estará muito baixa no horizonte oeste e próxima do nascer do Sol, dificultando ainda mais a observação.
A situação melhora parcialmente na região Norte. Estados como Acre, Rondônia e o oeste do Amazonas poderão acompanhar parte do eclipse parcial.
“No Acre, por volta das 5h da manhã, já será possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento acontece perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, afirmou Gonçalves.
Mesmo assim, o Brasil não será o melhor local para observar o fenômeno. As condições ideais estarão em regiões do Oceano Pacífico, como Nova Zelândia e ilhas do Fiji, onde a totalidade será visível por completo.
ETAPAS DO ECLIPSE
A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explica que um eclipse lunar total passa por cinco fases:
-eclipse penumbral;
-eclipse parcial;
-eclipse total;
-retorno ao eclipse parcial;
-eclipse penumbral novamente.
No eclipse do dia 3 de março, os brasileiros acompanharão apenas as etapas iniciais, já que quando a fase total começar a Lua estará abaixo do horizonte no país.
Cronograma do eclipse (horário de Brasília)
-5h44 – início do eclipse penumbral
-6h50 – início do eclipse parcial
-8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)
Quanto mais a oeste do país estiver o observador, maior será o nível de obscurecimento da Lua. No extremo oeste, o encobrimento poderá chegar a 96%, ainda considerado tecnicamente um eclipse parcial.
De acordo com especialistas, eclipses lunares são relativamente comuns, mas o Brasil terá que esperar alguns anos para observar novamente um eclipse total completo.
A próxima oportunidade em que todas as fases serão visíveis em todo o território nacional acontecerá entre a noite de 25 e a madrugada de 26 de junho de 2029.
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Ainda em 2026 haverá um eclipse parcial quase total, com 93% de magnitude, visível na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais, enquanto em 2028 ocorrerão eclipses parciais, sem totalidade visível no país.