Especialistas avaliam que menção inédita ao risco fiscal pode influenciar os próximos passos da política de juros no Brasil.
Economistas destacaram como um dos principais pontos do comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (17) a inclusão, pela primeira vez, de referências aos impactos da política fiscal sobre o controle da inflação. Na avaliação dos especialistas, o novo alerta pode limitar futuras reduções da taxa básica de juros, a Selic.
O comunicado foi divulgado após o Banco Central anunciar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que passou de 14,50% para 14,25% ao ano.
Para a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, o documento sinaliza preocupação com medidas que estimulam o consumo e aumentam a demanda da economia, o que pode reduzir a eficácia da política monetária no combate à inflação.
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Segundo a especialista, caso os estímulos fiscais continuem pressionando a atividade econômica, o Banco Central poderá interromper o ciclo de redução dos juros ou manter a taxa em patamar elevado por mais tempo.
O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, também chamou atenção para a novidade no comunicado. Na avaliação dele, o Copom passou a tratar a política fiscal expansionista como um fator de risco independente para a inflação, indicando que esse aspecto passou a ser monitorado de forma mais direta pela autoridade monetária.
Outro ponto considerado inédito foi a inclusão dos riscos climáticos na análise do Banco Central. O comunicado destaca que eventos extremos podem afetar a produtividade agrícola e elevar os custos da geração de energia, fatores que também exercem pressão sobre os preços.
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Além de justificar a redução da Selic, o Copom reforçou que as próximas decisões sobre os juros dependerão da evolução do cenário econômico, do comportamento da inflação, da demanda interna e do ambiente internacional, mantendo cautela quanto aos próximos passos da política monetária.