Secretarias não asseguram o ensino das culturas afro-brasileiras e indígenas; pesquisadores defendem mudanças na formação de professores
Apesar de leis que há mais de uma década tornaram obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, a educação antirracista ainda enfrenta dificuldades para ser colocada em prática no Brasil. Pesquisas apontam falhas na implementação das normas e problemas principalmente na formação dos professores.
Um levantamento realizado em 2023 pelo Instituto Geledés e pelo Instituto Alana mostrou que sete em cada dez secretarias municipais de Educação realizavam poucas ou nenhuma ação para garantir o ensino dessas temáticas. Com isso, o assunto muitas vezes acaba restrito a datas específicas, como o 13 de maio e o 20 de novembro, sem uma abordagem contínua durante o ano letivo.
Pesquisadores apontam que a falta de preparo dos professores é um dos principais obstáculos. Muitos profissionais relatam que não receberam formação adequada durante a graduação para trabalhar questões relacionadas às relações étnico-raciais e ao racismo em sala de aula. A ausência de recursos e a baixa prioridade dada ao tema por gestores também dificultam a aplicação das leis.
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Outro estudo, realizado com 36 educadores da rede pública paulista, reforçou o problema: 26 deles afirmaram nunca ter participado de uma formação sobre racismo durante a trajetória profissional. Para especialistas, a preparação dos docentes precisa ser fortalecida para que o tema deixe de ser tratado de maneira pontual e passe a fazer parte efetivamente da rotina escolar.
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Os pesquisadores defendem que a disciplina de Educação das Relações Étnico-Raciais seja obrigatória nos cursos de licenciatura. A proposta é preparar os futuros professores para abordar o racismo, a desigualdade e a diversidade cultural de maneira crítica, contribuindo para uma educação que combata preconceitos e estereótipos desde os primeiros anos de formação.