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Eileen Gu enfrenta ataques e pressões políticas após competir pela China nas Olimpíadas
Foto: Reproduçao

Bicampeã olímpica e estrela global do esporte, atleta nascida nos EUA relata ameaças e hostilidade por defender a China em meio à rivalidade entre as duas potências

A esquiadora freestyle Eileen Gu voltou ao centro de uma intensa controvérsia após conquistar duas novas medalhas olímpicas em Milão-Cortina. Nascida e criada nos Estados Unidos, a atleta de 22 anos optou por competir pela China decisão que, mais uma vez, provocou críticas e ataques, especialmente em setores conservadores norte-americanos.

 

Estudante de física quântica em Stanford, modelo internacional e uma das atletas mais bem pagas do mundo com faturamento superior a US$ 23 milhões no último ano Gu afirma que o sucesso não a poupou de ameaças, hostilidade online e até agressões físicas.

 

“Passei por coisas que nenhuma pessoa deveria enfrentar, sejam ameaças, ódio nas redes ou ataques físicos”, declarou em entrevista após conquistar a prata no freeski slopestyle. Segundo ela, os últimos anos foram marcados por pressão constante, mas também por amadurecimento pessoal.

 

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DECISÃO ANTIGA, DEBATE RENOVADO

 

Gu anunciou ainda em 2015 que representaria a China, país de origem de sua mãe. Na época, afirmou sentir orgulho tanto de sua herança chinesa quanto de sua formação americana. Durante sua estreia olímpica em Pequim 2022, tentou adotar postura neutra, enfatizando sua identidade bicultural.

 

No entanto, com o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China, o debate ganhou novos contornos. Críticos apontam questões de direitos humanos envolvendo o governo chinês e argumentam que Gu teria se beneficiado da estrutura esportiva americana sem “retribuir” ao país.

 

Entre os que se manifestaram estão políticos republicanos e figuras públicas como o ex-jogador da NBA Enes Kanter Freedom, que a classificou como “traidora” nas redes sociais. Já o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou não ter posição definida sobre o caso, mas declarou esperar que atletas formados no país optem por defendê-lo.

 

COMPARAÇÕES E POLARIZAÇÃO

 

Nas redes sociais, Gu passou a ser comparada a outras atletas asiático-americanas, como Chloe Kim e Alysa Liu, que competem pelos Estados Unidos. Para parte dos críticos, elas representariam o “modelo ideal” de patriotismo. Já apoiadores de Gu argumentam que sua identidade é legítima nos dois países e que sua escolha é pessoal.

 

A atleta afirma que sente, muitas vezes, como se carregasse “o peso de dois países nos ombros”. Segundo ela, as críticas vieram tanto de americanos quanto de chineses, questionando se ela seria “chinesa o suficiente” ou “americana demais”.

 

APOIO NA CHINA E PROJEÇÃO GLOBAL

 

Enquanto enfrenta recepção dividida nos EUA, Gu é celebrada na China como a “princesa da neve”. A mídia estatal a descreve como orgulho nacional, e fãs destacam que medalhas de prata também merecem reconhecimento.

 

Fora das pistas, sua carreira se expandiu significativamente. Com contratos com marcas globais e representação pela IMG Models, Gu transformou sua imagem em um fenômeno comercial internacional.

 

Apesar da pressão, ela afirma estar mais forte e consciente do próprio papel. “Não ficou mais fácil. Eu apenas aprendi a suportar mais”, disse recentemente, acrescentando que deseja proteger jovens atletas de ataques e cyberbullying semelhantes aos que enfrentou.

 

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No auge da carreira, Gu demonstra que sua trajetória vai além das medalhas ela se tornou símbolo de identidade híbrida em um cenário global cada vez mais polarizado. 

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