Foto : David Swanson
O fenômeno El Niño, associado ao aumento das temperaturas dos oceanos, representa uma ameaça cada vez maior para os recifes de coral em diferentes regiões do planeta. O alerta foi feito pelo cientista queniano David Obura, presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), órgão apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Um estudo publicado na revista científica Nature, coordenado por Obura e realizado com a participação de dezenas de pesquisadores, revelou que quase metade das espécies de corais construtores de recifes já enfrentava elevado risco de extinção, principalmente por causa das mudanças climáticas.
A situação pode ser ainda mais grave atualmente. Desde o período analisado pela pesquisa, encerrado em 2020, os oceanos registraram temperaturas recordes, aumentando a preocupação de especialistas com os impactos do aquecimento global e dos eventos climáticos extremos.
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CALOR INTENSO PROVOCA BRANQUEAMENTO E MORTE DOS CORAIS
O aumento da temperatura da água provoca o chamado branqueamento dos corais, fenômeno que ocorre quando esses organismos expulsam as algas microscópicas que vivem em seus tecidos e fornecem grande parte de sua energia e coloração.
Sem esses organismos, os corais ficam enfraquecidos, perdem sua principal fonte de alimento e podem morrer caso as condições ambientais não melhorem.
David Obura destacou que os efeitos de um episódio intenso de El Niño podem ser devastadores. O pesquisador também alertou para a possibilidade de uma nova avaliação confirmar que mais da metade das espécies de corais esteja sob elevado risco de extinção.
RECIFES SÃO ESSENCIAIS PARA A VIDA MARINHA
Os recifes de coral desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos oceanos. Além de abrigarem uma enorme diversidade de espécies marinhas, essas estruturas ajudam a proteger as regiões costeiras contra a erosão e contribuem para o armazenamento de carbono.
A morte em larga escala dos corais pode comprometer ecossistemas inteiros, afetando a biodiversidade, a pesca e as comunidades humanas que dependem desses ambientes.
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Diante do avanço das temperaturas oceânicas, cientistas alertam que a combinação entre as mudanças climáticas e fenômenos naturais intensos, como o El Niño, pode acelerar a deterioração dos recifes e ampliar a ameaça à vida marinha em escala global.