Fenômeno poderá, ainda, levar 4,8 milhões de pessoas à pobreza na América Latina, segundo relatório da Cepal
Um episódio extremo do fenômeno El Niño poderá provocar uma perda acumulada de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe ao longo de três anos. A estimativa foi divulgada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que também alerta para possíveis impactos sociais e econômicos provocados pelo evento climático.
Segundo o relatório, metade da perda econômica estimada deverá ocorrer já no primeiro ano do fenômeno. O impacto sobre a renda das famílias também poderá aumentar a pobreza em até 4,8 milhões de pessoas adicionais até o fim da década, em comparação com um cenário sem a ocorrência do El Niño.
Entre os setores mais vulneráveis estão a agricultura, a pesca, a energia e parte da infraestrutura. A Cepal destaca que as altas temperaturas podem elevar a demanda por eletricidade em grandes cidades, como São Paulo, Lima e Cidade do México, justamente em períodos de menor disponibilidade de água, aumentando o risco de cortes e de custos operacionais mais elevados.
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A pesca também poderá sofrer fortes consequências devido ao aquecimento das águas do Pacífico, que altera a cadeia alimentar marinha e provoca a migração de espécies. Em episódios anteriores de Super El Niño, as capturas pesqueiras na região registraram quedas de 52,7% entre 1972 e 1973 e de 26,9% entre 1997 e 1998. A agricultura, por sua vez, enfrenta riscos relacionados à ocorrência de secas.
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Diante do cenário, a Cepal recomenda que os governos adotem medidas preventivas, como sistemas de alerta precoce, proteção de infraestruturas estratégicas, fundos de reserva, seguros contra desastres e ações para aumentar a segurança energética e alimentar. Projeções citadas pelo organismo apontam mais de 90% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027.