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Mulher
24/01/2020

Em Itacoatiara, mulheres contam como superaram a violência doméstica com auxílio do Governo do Amazonas

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Foto: Divulgação

Município é o primeiro do estado a receber o Serviço de Atendimento à Mulher, Idoso, Criança e Pessoa com Deficiência

“Quando chega a quinta-feira, eu posso ficar sossegada, porque eu sei que não vou mais apanhar”. Esse é o relato de Silene Matos, de 45 anos, que sofreu violência doméstica durante 23 anos no município de Itacoatiara (a 269 quilômetros de Manaus) e foi atendida pelo Serviço de Apoio à Mulher, Idoso, Criança e Pessoas com Deficiência (Samic), batizado como Casa de Maria.

 

Com seis meses de funcionamento, o local já atendeu mais de 180 pessoas vítimas de violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, com serviços psicossociais e de orientação jurídica após uma parceria com a Defensoria Pública do Amazonas.

 

Silene conta que o marido chegava alcoolizado em casa nos fins de semana e a violentava, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Após ser atendida no Samic, ela mudou a forma como se enxergava e conseguiu quebrar o ciclo de violência.


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“Passei por todo tipo de violência que você possa imaginar, meus filhos cresceram nesse ambiente. Quando chegava a quinta-feira, eu tinha muitas vezes que trancar meus filhos porque sabia que, se não os trancasse no quarto, eles iriam querer me defender e iriam apanhar junto comigo”, conta Silene.

 

 

“Eu os trancava por muitas vezes e apanhava sozinha. Quando meus filhos cresceram, chegou a um ponto que eles mesmo conversaram comigo e disseram basta”.

 

Hoje em dia, Silene vende doces e bolos sob encomenda e já participou de dois cursos de qualificação oferecidos pelo Samic: customização e designer de sobrancelhas.

 

Fotos: Arthur Castro

 

“Eu só tenho a agradecer, porque eu superei os meus medos, superei o meu pânico, sustento meus dois filhos e sou feliz. Eu me superei”, afirma. “A partir de agora quero colocar o que aprendi nos cursos em prática e ensinar minhas filhas, para que elas tenham uma renda própria”.

 

Outra mulher atendida pelo Samic é Bárbara Lima, de 30 anos. Ela foi encaminhada ao Samic após ser atendida pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher do município, que trabalha em parceria com a Sejusc. Durante a I Amostra do Serviços do Samic, realizada na última quarta-feira (22/01), Bárbara contou a outras mulheres como superou a violência doméstica.



“No Samic, eles me atenderam tanto psicologicamente quanto com cursos de qualificação, porque chegou a um ponto em que eu tive que ir para o hospital por conta das agressões. É muito difícil de falar sobre isso, e eu agradeço muito elas por me acolherem, por me ajudarem, todas elas estavam comigo quando precisei”, lembra. “Quero dizer para todas as mulheres que vocês têm força para superar a violência, e para os vizinhos, que assistem à situação, que vocês podem denunciar. Não fiquem calados”.

 

Sobre os planos para o futuro, Bárbara adianta que pretende participar de mais cursos de qualificação.


“Eu pretendo seguir meus cursos, seguir minha vida. Eles me dão muitas oportunidades, e eu quero continuar com essas ferramentas”, diz.

 

Balanço – Itacoatiara é o primeiro município do Amazonas a receber o Serviço de Atendimento à Mulher, Idoso, Criança e Pessoa com Deficiência (Samic). Em seis meses de funcionamento, 182 mulheres foram atendidas no local.

 

De acordo com dados da Sejusc, em Itacoatiara, os casos mais atendidos pelo Samic foram os de violência psicológica, seguidos pela violência física e patrimonial. Mulheres entre 30 e 45 anos são as que mais procuraram o serviço.

 

A implementação do serviço está prevista para outros seis municípios em 2020.

 

“Com o Samic, as mulheres do interior têm uma nova oportunidade para quebrar o ciclo de violência e investir na independência financeira”, afirma Caroline Braz, titular da Sejusc. “Ao longo deste ano, seguiremos para os municípios de Parintins, Tabatinga, Maués, Tefé, Humaitá e São Gabriel da Cachoeira”.

 

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Onde encontrar
– O Samic de Itacoatiara fica anexo à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), na rua Eduardo Ribeiro, bairro Jauary. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

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