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Em tese premiada, pesquisadora transforma vivências em pedagogia antirracista
Foto: Reprodução

Décadas depois, Fabiana reviveu essa dor ao ver seu filho Alex chorar e resistir em ir para a creche

Na fotografia que ilustra a primeira página de sua tese de mestrado, cuidadosamente guardada pela avó Mercina, a pequena Fabiana Rodrigues da Silva sorri. Ela veste uma beca azul e segura o diploma da educação infantil. Mas a aparente alegria da imagem oculta uma violência que a câmera não registrou: instantes antes do clique, os lindos cachinhos que sua mãe havia hidratado um a um para a festa de formatura foram desfeitos por uma professora, que penteou seu cabelo a seco, para “alisá-lo”.

 

Décadas depois, Fabiana reviveu essa dor ao ver seu filho Alex chorar e resistir em ir para a creche. Negro, o menino enfrentou situações de racismo que não passaram despercebidas pela mãe. Foram muitas conversas e mudanças de escola até encontrar o local que retomaria a alegria de Alex, hoje com 8 anos, em estar na sala de aula.

 

Mesmo tão pequeno, sentiu na pele negra a falta de acolhimento que atravessa gerações.Suas experiências pessoais se tornaram os grandes temas de estudo em sua carreira na pedagogia. A tese de mestrado, intitulada “Corpografias Negras: Afetividades e pedagogias emancipatórias em práticas antirracistas” e defendida na USP (Universidade de São Paulo) neste ano de 2025, ganhou o 5º Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp – Instituto Vladimir Herzog.

 

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A iniciativa valoriza pesquisas de graduação, mestrado e doutorado que fortalecem o compromisso entre universidade pública e sociedade na defesa dos direitos humanos. Em seu estudo, Fabiana narra como violências cotidianas atravessam corpos negros desde muito cedo e propõe quea escola seja um espaço de afeto, pertencimento e resistência.

 

Foto: Reprodução

 

“A minha trajetória escolar foi marcada por violências raciais, principalmente relacionadas à estética e ao meu cabelo. Não guardo lembranças afetivas da escola”, afirma a professora. O incômodo voltou a ganhar força quando, já adulta e mãe, ela percebeu que o filho também começava a vivenciar o racismo. “Percebi que aquilo que eu vivi não era exceção, mas uma estrutura que continua atravessando gerações.”

 

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Arte-educadora desde 2008, Fabiana atua em projetos voltados para mulheres negras e periféricas. Essa vivência mostrou a importância de reconhecer e levar diferentes saberes para o ambiente escolar. “A cultura hip hop e a dancehall foram fundamentais na construção da minha identidade como mulher preta”, conta. 

 

Fonte: Porvir

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