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Em vitória para Trump, Câmara dos EUA aprova projeto orçamentário para dar impulso à agenda doméstica
Foto: Reprodução

Vitória por margem mínima de um voto (215 a 214) leva texto para o Senado; críticos apontam desmantelamento de sistema de saúde e risco de endividamento

Em uma primeira vitória para o presidente Donald Trump no Legislativo, a Câmara de Representantes dos EUA aprovou nesta quinta-feira o projeto de lei orçamentária apresentado pela Casa Branca — um pacote de medidas apelidado por Trump de "projeto de lei grande e bonito" — que combina isenções fiscais e cortes de gastos, e é apontada por críticos como uma ameaça ao sistema de saúde e como tendo potencial para fazer disparar o endividamento do país.

 

O projeto foi aprovado na manhã desta quinta pelo placar de 215 a 214, em uma primeira grande vitória para o governo sobre a oposição democrata. A legislação corta impostos, direciona mais verbas para as Forças Armadas e para a segurança de fronteiras, e financiaria parte disso com cortes no Medicaid, assistência alimentar, educação e programas de energia limpa, aumentando significativamente os déficits federais e o número de pessoas sem plano de saúde.

 

Politicamente, a aprovação também é uma vitória particular para o presidente republicano da Câmara, Mike Johnson, que precisou controlar dissidências de parlamentares do partido e direcionar a pequena margem de maioria a se impor na na votação.

 

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— Após uma longa semana, uma longa noite e incontáveis ??horas de trabalho no último ano, muitas orações e muito trabalho em equipe, meus amigos, literalmente amanheceu na América — disse Johnson após uma noite inteira de debate no plenário da Câmara. — Após quatro longos anos de fracassos do presidente [Joe] Biden, a agenda América Primeiro do presidente Trump finalmente chegou, e estamos avançando com ela hoje.

 

O pacote também estende incentivos fiscais implementados desde o primeiro mandato de Trump (2017-2021), que expirariam no final do ano. De acordo com uma comissão independente do Congresso, essa extensão, juntamente com outras medidas fiscais, aumentaria o déficit federal em mais de US$ 4,8 trilhões (R$ 27,2 trilhões) na próxima década.

 

Como forma de compensação, o projeto pede cortes nos gastos federais, em particular no Medicaid, o programa expandido de seguro saúde estabelecido pelo governo Barack Obama (2009-2017) e do qual dependem mais de 70 milhões de americanos de baixa renda. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, chamou o projeto de "maior corte na assistência médica da história americana", afirmando ter sido feito para "implementar as maiores isenções fiscais para bilionários da história americana".

 

Johnson negociou com republicanos de diferentes alas do partido para garantir a aprovação, uma vez que muitos deles exigiam mudanças no projeto de lei e se recusavam a dar seu apoio.

 

Poucas horas antes da votação, ele revelou uma série de concessões para conquistar parlamentares resistentes, incluindo a aceleração de novos requisitos de trabalho para o Medicaid, o aumento da dedução de impostos estaduais e locais, a expansão da reversão de créditos tributários para energia limpa criados pelo governo Biden e o direcionamento de verbas adicionais para reembolsar estados pelos esforços de fiscalização da imigração.

 

Em seguida, ele tentou desmascarar os resistentes, marcando a votação da legislação para o início da manhã e efetivamente desafiando os republicanos resistentes a se manifestar publicamente sobre a agenda legislativa de Trump. No final, apenas dois republicanos votaram contra.

 

— Este projeto de lei é uma bomba-relógio — disse Thomas Massie, deputado republicano pelo Kentucky contrário a medida, antes da votação. — Não vamos reorganizar as cadeiras do convés do Titanic esta noite. Estamos colocando carvão na caldeira e definindo um curso para o iceberg.

 

Trump pressionou fortemente pela aprovação do projeto de lei, visitando o Capitólio na terça-feira para apresentar a legislação aos republicanos e se reunindo com os que se opunham à proposta na quarta-feira, na Casa Branca. Mais cedo na quarta-feira, seu governo divulgou um comunicado chamando a não aprovação do projeto de lei de “a traição definitiva”.

 

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Apesar da vitória na Câmara, o projeto ainda precisa ser aprovado no Senado, onde republicanos já expressaram vontade de fazer mudanças no projeto original. A expectativa do governo é que o projeto seja aprovado antes de 4 de julho.  

 

Fonte: O Globo

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