Diplomata afirma que ameaças do governo Donald Trump são motivo de preocupação e alerta para possíveis consequências de um conflito militar para toda a região do Caribe.
O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo, afirmou que o governo cubano considera real a possibilidade de uma invasão militar dos Estados Unidos e que a população está se preparando para enfrentar uma eventual ofensiva. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países e à intensificação das medidas de pressão adotadas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump.
Em entrevista à Agência Brasil, o diplomata declarou que as autoridades cubanas acompanham com preocupação as manifestações de integrantes do governo dos Estados Unidos sobre uma possível intervenção militar. Segundo ele, as declarações de Washington não podem ser ignoradas, mesmo diante das dificuldades econômicas e dos custos que uma operação desse tipo representaria.
Palomo defendeu que a comunidade internacional se manifeste contra uma eventual ação militar e afirmou que uma invasão teria consequências graves para a população cubana. O embaixador também declarou que o país está disposto a defender sua soberania e que a população não pretende aceitar uma intervenção estrangeira sem resistência.
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A tensão entre Washington e Havana aumentou após o governo norte-americano ampliar a pressão econômica sobre a ilha. As medidas incluem sanções e restrições relacionadas ao fornecimento de petróleo, agravando as dificuldades de abastecimento enfrentadas por Cuba. O turismo, uma das principais atividades econômicas do país, também sofre com os efeitos da crise.
Em janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos classificou Cuba como uma ameaça à segurança nacional norte-americana. Washington também fez acusações contra o governo cubano relacionadas às suas alianças internacionais e a supostas atividades que poderiam comprometer interesses estratégicos dos Estados Unidos. As autoridades cubanas rejeitam as alegações.
O embaixador contestou a classificação de Cuba como uma ameaça e argumentou que o país não possui capacidade militar para colocar em risco os Estados Unidos. Para o diplomata, as medidas adotadas por Washington agravam os problemas econômicos da população e aumentam o clima de insegurança na região.
Palomo também alertou que um eventual conflito não ficaria restrito ao território cubano. Segundo ele, a proximidade geográfica entre Cuba e os Estados Unidos e os vínculos entre a população da ilha e comunidades cubanas que vivem no exterior poderiam ampliar as consequências políticas e sociais de uma guerra.
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Apesar das tensões, o diplomata defendeu que os problemas entre os dois países sejam resolvidos por meio do diálogo, sem agressões militares ou imposições externas. Ele afirmou que Cuba enfrenta dificuldades internas, mas sustentou que cabe à própria população decidir os rumos políticos e econômicos do país. Até o momento, as declarações do embaixador não representam confirmação de que os Estados Unidos tenham decidido iniciar uma invasão militar.