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Emiliane desabafa após ser resgatada de cativeiro mantido pelo ex-marido em Goiás: 'Eu amei muito ele'
Foto: Reprodução

A jovem contou que se casou com Ailton aos 18 anos e que ele foi seu primeiro amor

Resgatada após passar cinco dias dopada, amordaçada e presa a uma cama em Águas Lindas de Goiás, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, falou sobre o ciclo de violência doméstica, a dificuldade para conseguir proteção e o trauma de ter sido mantida em cativeiro pelo ex-marido, Ailton Rodrigues de Souza.

 

A jovem contou que se casou com Ailton aos 18 anos e que ele foi seu primeiro amor. Segundo Emiliane, com o passar do tempo, o relacionamento foi marcado por comportamentos cada vez mais agressivos e controladores.

 

“Eu amei muito ele. Ele foi, assim, o primeiro amor da minha vida. Eu casei com ele com 18 anos. Então, assim, eu achava que ele era meu tudo, que ele ia me proteger, que ele estava ali pra tudo isso. Só que, no fim, não era nada disso”, desabafou.

 

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A relação terminou oficialmente em dezembro de 2025. Emiliane relatou que os primeiros sinais de medo surgiram ainda durante o relacionamento e que episódios de agressividade fizeram com que ela perdesse gradualmente a confiança no então companheiro.

 

“A primeira vez que eu tive muito, muito medo dele foi na nossa outra casa que a gente tem, que ele chegou transtornado. Ele queria brigar, e eu falei: ‘Eu não quero brigar, não quero discutir. Amanhã a gente conversa’. O meu bebezinho tava pequenininho, tinha uns oito meses. Eu peguei o Nick e fui pro quarto”, contou.

 

Segundo Emiliane, o comportamento do ex-marido foi se tornando cada vez mais controlador. Ela afirmou que passou a sentir medo e insegurança dentro da própria casa.

 

“Eu lembro de eu abraçar o Nick na cama e ficar balançando com medo dele. E ele tomar o Nick de mim, correr pra sala e falar: ‘Você vai conversar comigo sim, porque eu quero saber qual que era a marca do carro que tinha subido na calçada’. E assim foi várias coisinhas que ele foi fazendo que foi me passando medo, me passando insegurança, e eu perdendo a admiração por ele.”

 

A jovem também afirmou que procurou as autoridades e tentou obter uma medida protetiva, mas teve o pedido indeferido por falta de provas.

 

“A minha medida protetiva foi indeferida por falta de provas, porque, normalmente, todas as câmeras não gravam mais que um mês, né? E eles simplesmente não vieram buscar porque a demanda é muito grande. E não tinha prova. Ficou só a minha palavra contra a de ninguém, e a minha medida protetiva foi indeferida”, relatou.

 

O desaparecimento de Emiliane foi comunicado pelos familiares na segunda-feira (17). Ela havia sido vista atravessando uma passarela após sair de uma clínica, seguindo em direção ao Setor 10, no bairro Jardim Barragem I.

Durante as buscas, Ailton teria fechado o próprio estabelecimento comercial, abandonado veículos e deixado a residência onde morava. As equipes de segurança continuaram procurando pela jovem e pelo suspeito.

 

A localização do cativeiro ocorreu na sexta-feira (21), após equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar avistarem Ailton dirigindo um veículo. Ele teria desobedecido à ordem de parada e fugido em alta velocidade, sendo posteriormente interceptado no Setor Jardim Querência.

 

As investigações levaram os policiais até uma casa no Setor Jardim América III, que teria sido alugada por Ailton poucos dias antes. Ao chegarem ao imóvel, os militares ouviram ruídos vindos do interior e arrombaram a residência.

 

No quarto, Emiliane foi encontrada sobre uma cama, imobilizada com cordas, algemas e correntes. Ela também estava amordaçada e usava uma máscara facial que, segundo os policiais, dificultava sua respiração.

 

Desorientada, a vítima conseguiu indicar aos agentes quem seria o responsável pelo crime: “Meu ex-marido”.

 

Segundo a Polícia Civil de Goiás, Ailton confessou ter utilizado medicamentos antidepressivos para manter a vítima dopada e sem reação. Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida no imóvel.

 

O Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar as correntes, e Emiliane foi encaminhada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás para receber atendimento médico.

 

Após receber alta, a jovem utilizou as redes sociais para agradecer às pessoas que participaram das buscas e relatou parte do que teria sofrido durante o período em que permaneceu no cativeiro.

 

“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácidos dentro de mim. As buscas não acabam aqui. Agora é o início de tudo. O início para que a gente possa buscar justiça pelo que aconteceu comigo”, afirmou.

 

Emiliane também pediu apoio para que o caso não seja esquecido e para que outras mulheres não sejam vítimas do suspeito.

 

“Eu peço a ajuda e o apoio de todos vocês para continuarem segurando a minha mão para que a gente possa vencer essa batalha, para que ele não possa machucar mais nenhuma mulher.”

 

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Ailton Rodrigues de Souza foi preso em flagrante e, segundo as informações divulgadas, deve responder por crimes como sequestro qualificado, tortura, violência doméstica e porte ilegal de arma de fogo. A Polícia Civil de Goiás continua investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias do crime. 

 

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