Empresa ligada a contratos de terceirização acumula cifras milionárias e é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho
A Agência Quarter, registrada formalmente em nome de uma mulher apontada como “laranja”, é responsável por administrar uma folha de pagamento sigilosa na Prefeitura de São Paulo, com remunerações que chegam a R$ 40 mil mensais. A empresa mantém contratos ativos que somam mais de R$ 178 milhões com a Sao Paulo Turismo (SPTuris), estatal municipal responsável por intermediar as contratações.
Entre 2020 e 2024, a Quarter e a empresa DKS ambas ligadas aos irmãos Marcelo e Victor Correia Moraes receberam ao menos R$ 357 milhões para fornecer mão de obra terceirizada a secretarias municipais, especialmente Cultura e Turismo. Os dados de 2025 e 2026 não estão disponíveis no Portal da Transparência, segundo apuração. O caso é investigado pelo Ministerio Publico do Trabalho (MPT), que apura possível “quinterização” de contratos.
De acordo com o inquérito, as secretarias contratam a SPTuris, que por sua vez firma acordos com empresas como Quarter e DKS. Estas contratariam microempresas ou profissionais como pessoa jurídica (PJ) para prestar serviços subordinados às pastas municipais. Testemunhas ouvidas pelo MPT relataram que servidores públicos indicariam diretamente os trabalhadores a serem contratados.
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A Quarter é oficialmente registrada em nome de uma mulher que, segundo a reportagem, vivia até pouco tempo atrás em um cortiço na zona norte da capital, embora a empresa tenha registrado lucro de R$ 16 milhões apenas em 2024. Já a DKS é associada a Victor Moraes, ainda que ele não figure formalmente como sócio.
A prefeitura, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), afirmou ter determinado a abertura de investigação pela Controladoria Geral do Município (CGM). Informou também que não mantém mais contrato com a DKS desde setembro de 2025 e que os serviços se referem a fornecimento eventual de profissionais para eventos específicos.
Um dos pontos questionados envolve a falta de transparência na prestação de contas dos contratos intermediados pela SPTuris. Nos processos analisados, constam apenas notas fiscais com número de acionamentos e valores pagos, sem detalhamento sobre quem trabalhou, onde atuou ou qual atividade desempenhou.
Também foram relatadas contratações que poderiam configurar nepotismo indireto. A reportagem cita o caso de familiares de um coordenador da Secretaria de Turismo que teriam sido contratados pela Quarter para atuar na mesma área sob sua gestão.
A Quarter defendeu a legalidade dos contratos, afirmando que atua dentro das normas da Lei de Acesso à Informação e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e que toda documentação necessária é apresentada aos órgãos fiscalizadores quando solicitada formalmente. A empresa sustenta que não há lotação permanente de seus profissionais em repartições públicas e que as contratações são feitas conforme demanda de eventos.
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O MPT segue apurando as denúncias e já colheu diversos depoimentos de trabalhadores que relataram prestação de serviços contínua dentro das secretarias, com características semelhantes a vínculo empregatício, embora formalizados como prestadores autônomos.