O caso expõe suspeitas sobre a atuação de policiais em serviços privados e levanta questionamentos sobre a origem de altas quantias em dinheiro vivo.
Um empresário protocolou pedido na Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo reivindicando a devolução de quase R$ 1,2 milhão apreendidos na casa do sargento Nereu Aparecido Alves, preso no início de fevereiro. O dinheiro foi encontrado em uma mala durante operação que investiga a atuação de policiais militares na escolta de dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
O empresário Ricardo Barnabé afirmou, por meio de petição assinada por seus advogados, que os valores lhe pertencem e têm origem lícita. Segundo a defesa, ele se apresentou voluntariamente para prestar esclarecimentos e juntar documentos que comprovariam a legalidade da quantia. Barnabé declarou que não possui qualquer vínculo com a Transwolff e que pretende demonstrar nos autos a procedência do dinheiro.
O sargento Nereu foi preso no dia 4 de fevereiro, junto com outros dois policiais militares, sob suspeita de integrar organização criminosa ao prestar serviços de escolta a dirigentes da empresa investigada. Em depoimento, o PM afirmou que trabalhava como segurança particular do empresário e que, a pedido dele, buscou o dinheiro em Bauru (SP) no dia anterior à prisão, transportando a quantia até a capital paulista. Como não conseguiu entregar pessoalmente o valor, disse ter sido orientado a manter a mala sob sua guarda até o dia seguinte.
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Na manhã seguinte, a Corregedoria deflagrou a operação e apreendeu o dinheiro. Durante o interrogatório, Nereu declarou que faz “bico” desde que ingressou na corporação para complementar a renda familiar. Segundo ele, seu patrimônio se resume a um apartamento financiado e não possui investimentos bancários ou veículos registrados em seu nome.
Barnabé é sócio de seis empresas registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo, entre elas a Qualybem Food & Service, que mantém contratos de fornecimento de alimentos para órgãos públicos, como universidades federais no estado. Questionado sobre o motivo de manter grande quantia em espécie e na residência de seu segurança, o empresário informou, por meio da defesa, que os esclarecimentos serão prestados formalmente quando for intimado.
A investigação também apura mensagens trocadas entre os policiais e dirigentes da Transwolff. O sargento afirmou que não é autor de uma mensagem que mencionava o ex-vereador Milton Leite como “chefe”, alegando que o conteúdo teria sido repassado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira. Ambos foram indiciados.
O capitão Alexandre admitiu ter gerenciado serviços privados de segurança para a Transwolff, mas negou qualquer conhecimento de irregularidades ou vínculo da empresa com o crime organizado. Sua defesa questiona a motivação da prisão, alegando ausência de fatos novos desde que a Corregedoria tomou conhecimento da prestação de serviços, em 2024.
As investigações seguem em andamento para apurar a origem do dinheiro apreendido e a eventual responsabilidade dos envolvidos.