Entidades dos dois países defendem acordo urgente antes da decisão final do governo norte-americano e alertam para prejuízos ao comércio bilateral.
Representantes do setor empresarial brasileiro e norte-americano reforçaram, nesta quinta-feira (9), os apelos para que os governos dos dois países ampliem o diálogo e evitem a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A preocupação cresce com a proximidade da decisão do governo dos Estados Unidos, que avalia aplicar uma sobretaxa de 25% a diversas mercadorias exportadas pelo Brasil.
Em uma carta conjunta, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce solicitaram mais tempo para as negociações e defenderam a construção de um acordo de curto prazo capaz de encerrar, de forma negociada, a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação norte-americana.
O documento foi encaminhado às principais autoridades responsáveis pelas relações comerciais dos dois países. No Brasil, a carta foi enviada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, o texto foi direcionado ao representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
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Na avaliação das entidades, uma solução negociada é o caminho mais eficiente para fortalecer a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos, ampliar investimentos e preservar empregos, evitando impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados.
Entre as prioridades apresentadas pelas entidades está a ampliação do acesso de produtos industriais brasileiros ao mercado norte-americano, além de incentivos para investimentos em bens de capital, infraestrutura voltada à inteligência artificial e data centers.
O setor empresarial também propõe o fortalecimento da cooperação regulatória em segmentos estratégicos, como as indústrias automotiva, farmacêutica, de saúde e de equipamentos médicos.
A CARTA AINDA SUGERE AVANÇOS EM OUTRAS ÁREAS CONSIDERADA
As essenciais para o comércio bilateral, como a cooperação em minerais críticos, a aceleração da análise de pedidos de patentes no Brasil, o combate à pirataria, a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas aplicadas às transmissões eletrônicas e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo sobre Comércio e Cooperação Econômica (ATEC).
Segundo as entidades, um entendimento inicial poderá abrir caminho para negociações mais amplas envolvendo segurança energética, inovação tecnológica, comércio eletrônico, agricultura, logística, descarbonização da indústria e fortalecimento das cadeias produtivas.
No documento, os empresários afirmam que a negociação representa uma alternativa mais vantajosa do que a adoção de medidas tarifárias.
"O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países", destaca a carta.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, reforçou a necessidade de intensificar os esforços diplomáticos antes do encerramento do processo conduzido pelo governo norte-americano.
"Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral", afirmou.
DECISÃO DOS ESTADOS UNIDOS PODE SAIR NOS PRÓXIMOS DIAS
A mobilização das entidades empresariais ocorre poucas horas após o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informar que a decisão sobre a investigação envolvendo o Brasil deverá ser anunciada "muito em breve".
Em entrevista à emissora norte-americana Fox Business, Greer afirmou que o governo dos Estados Unidos mantém diálogo constante com representantes brasileiros, mas reconheceu que ainda existem diferenças significativas entre as posições defendidas pelos dois países.
Na última terça-feira (7), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu a fase de audiências públicas da investigação da Seção 301, que apura supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.
Ao final do processo técnico, foi recomendada a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A decisão definitiva, no entanto, caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso a medida seja confirmada, a nova sobretaxa deverá entrar em vigor no próximo dia 15 de julho.
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Nos bastidores, negociadores dos dois países admitem que ainda há obstáculos para um entendimento. Enquanto representantes do governo brasileiro afirmam que Washington não detalhou quais concessões espera de Brasília, integrantes da equipe norte-americana avaliam que o Brasil ainda apresentou poucas propostas concretas para viabilizar um acordo antes do prazo final.