Conflitos internacionais expõem fragilidade dos combustíveis fósseis e aceleram transição para fontes limpas
O avanço das energias renováveis tem se mostrado um fator decisivo para reduzir os impactos de crises globais no setor energético. Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio com ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã especialistas apontam que países menos dependentes de combustíveis fósseis enfrentam melhor os choques no abastecimento.
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente. A instabilidade na região ameaça o fluxo de energia, elevando preços e pressionando economias ao redor do mundo.
Segundo Antony Froggatt, da organização Transport & Environment, a dependência global de combustíveis fósseis ainda é alta cerca de 80% da energia mundial vem dessas fontes, o que aumenta a vulnerabilidade diante de crises geopolíticas.
Veja também

Operação gigante mira facções e tráfico em 15 estados com mais de 100 presos e milhões bloqueados
Mulher trans é marcada por suástica nazista após ser espancada por namorado e patrões no MS
DEPENDÊNCIA E VULNERABILIDADE
Para Rana Adib, da REN21, países que investem em energia limpa produzida localmente conseguem reduzir significativamente essa exposição.
Ela destaca que, embora tecnologias como painéis solares e turbinas eólicas dependam de cadeias globais, a produção de energia em si ocorre dentro dos próprios países. “O combustível passa a ser o sol e o vento locais”, explica, ressaltando a maior resiliência dessas fontes.
EXEMPLOS DE SUCESSO
O Uruguai é um dos principais exemplos dessa transformação. Após a crise de 2008, o país investiu fortemente em energia limpa e hoje gera mais de 90% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis, como eólica, solar e hidrelétrica.
Essa mudança trouxe estabilidade econômica: durante crises recentes, como a guerra na Ucrânia, o país manteve preços de energia controlados, além de reduzir custos com importação e gerar milhares de empregos.
Outro destaque é a Dinamarca, que iniciou sua transição ainda nos anos 1970. Atualmente, mais de 80% da eletricidade dinamarquesa vem de fontes renováveis, com forte predominância da energia e ólica. O país também já reduziu significativamente suas emissões e pretende eliminar o uso de combustíveis fósseis no setor elétrico até 2030.
IMPACTO ECONÔMICO
Estudos indicam que o aumento da participação de energias renováveis contribui diretamente para a redução dos custos da eletricidade. Em cenários de alta nos preços de combustíveis fósseis, essa vantagem se torna ainda mais evidente.
No entanto, especialistas alertam que a proteção total contra crises energéticas só será alcançada com a eletrificação de setores como transporte e aquecimento, reduzindo ainda mais a dependência de petróleo e gás.
Diante do cenário atual, analistas avaliam que a crise energética global pode acelerar a adoção de fontes limpas. Apesar disso, a transição exige investimentos elevados, mudanças estruturais e revisão de subsídios ainda destinados aos combustíveis fósseis.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Para especialistas, o momento reforça que segurança energética e combate às mudanças climáticas caminham juntos e que ampliar o uso de energias renováveis deixou de ser apenas uma escolha ambiental para se tornar uma necessidade estratégica global.