Projeto comunitário reduz custos da pesca, fortalece o turismo e amplia oportunidades na bioeconomia do rio Negro.
Uma solução simples, mas altamente inovadora, está mudando a rotina de comunidades ribeirinhas no Amazonas. Na localidade de Santa Helena do Inglês, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, em Iranduba, a produção de gelo com energia solar vem revolucionando atividades como a pesca e o turismo.
Conhecido como “Gelo Caboclo”, o projeto surgiu a partir de uma necessidade real dos moradores: garantir acesso ao gelo sem depender de deslocamentos até Manaus. Antes da iniciativa, pescadores enfrentavam longas viagens, altos custos com combustível e perdas frequentes devido ao derretimento do gelo durante o trajeto. Em muitos casos, o investimento era perdido antes mesmo da venda do pescado.
Com a fábrica instalada na própria comunidade, esse cenário mudou completamente. Agora, os pescadores podem primeiro realizar a pesca e, somente depois, adquirir o gelo necessário para conservar o produto, reduzindo riscos e aumentando a eficiência da atividade.
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A iniciativa é conduzida pela Fundação Amazônia Sustentável, com apoio da Positivo Tecnologia, dentro do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política da Superintendência da Zona Franca de Manaus, coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com parceria da UCB Power e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas.
Com capacidade de produzir cerca de uma tonelada de gelo por dia, a estrutura funciona com energia solar e utiliza água de poço artesiano, garantindo autonomia e sustentabilidade. Além disso, dispõe de câmara fria e espaço de armazenamento, o que permite atender à demanda mesmo em períodos de maior atividade.
Os impactos vão além da pesca. Empreendedores locais e embarcações turísticas também se beneficiam, deixando de transportar gelo da capital e passando a adquiri-lo diretamente na comunidade. Isso gera renda, movimenta o comércio e fortalece a economia regional.

Embora apenas duas pessoas trabalhem diretamente na fábrica, os efeitos positivos já alcançam mais de 200 famílias, envolvendo cerca de 600 pessoas ligadas às cadeias produtivas da pesca, turismo e comércio local.
Outro diferencial do projeto é o protagonismo comunitário. A gestão é feita pelos próprios moradores, com apoio técnico em áreas como educação financeira e gestão de negócios. Esse modelo contribui para a sustentabilidade da iniciativa e abre novas possibilidades, como o armazenamento de pescado no futuro.

Foto: Reprodução
Além de melhorar a renda, o “Gelo Caboclo” também reforça práticas sustentáveis, ao utilizar energia limpa e contribuir para a redução de emissões. O projeto exemplifica como a tecnologia, quando aplicada à realidade local, pode gerar impacto social, econômico e ambiental.
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A experiência demonstra que soluções pensadas dentro das comunidades têm potencial para transformar a bioeconomia amazônica, promovendo desenvolvimento com respeito ao território e às pessoas.