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Enfermeiro vira ‘barbeiro’ e usa cortes de cabelo para levar autoestima a pacientes internados
Foto: Divulgação

Jonatas de Sousa já realizou dezenas de cortes em pacientes de longa permanência e transformou a barbearia improvisada em uma ferramenta de acolhimento e humanização

Um corte de cabelo pode parecer um gesto simples, mas, dentro de um hospital, pode representar muito mais do que uma mudança no visual. É com essa ideia que o enfermeiro cearense Jonatas de Sousa, do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), passou a oferecer cortes de cabelo aos pacientes internados.

 

Conhecido pelos corredores como o “enfermeiro barbeiro”, Jonatas incorporou a prática à rotina de atendimento e pretende chegar a 100 cortes realizados até o fim de 2026. A iniciativa é voltada principalmente para pessoas que enfrentam internações prolongadas e busca contribuir para a autoestima e o bem-estar emocional durante o período de tratamento.

 

Um dos pacientes que vivenciou essa experiência foi Hélio Cardoso de Lima, de 62 anos. Após sofrer mais um infarto, ele voltou ao Hospital Universitário Cajuru, onde havia realizado um transplante renal 16 anos atrás.

 

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Dez dias depois da internação, Hélio recebeu o corte de cabelo e saiu da cadeira improvisada demonstrando satisfação com o resultado.

 

“Estou me sentindo renovado. Dá mais autoestima, mais energia”, contou o paciente.

 

Para Hélio, o gesto representou mais do que uma mudança na aparência. Segundo ele, o cuidado trouxe uma sensação de acolhimento e esperança durante o período de tratamento.

 

 

A história de Jonatas com os cortes começou em 2020, durante a pandemia de covid-19. Naquele período, ele acompanhava um paciente jovem que enfrentava a doença e, além da gravidade do quadro, sofria com o isolamento e a distância da família.

 

Ao perceber o impacto emocional da situação, o enfermeiro decidiu cortar o cabelo do paciente utilizando uma tesoura comum. A mudança no comportamento foi percebida rapidamente, com o jovem demonstrando mais disposição e esperança.

 

Anos depois, o paciente reencontrou Jonatas pelas redes sociais e agradeceu pelo gesto. Segundo o enfermeiro, ele relatou que aquele momento havia sido importante durante sua recuperação.

 

A experiência fez Jonatas levar a ideia para o Hospital Universitário Cajuru. Com o tempo, ele percebeu que a máquina de cortar cabelo também poderia ajudar a criar vínculos com pacientes que, muitas vezes, tinham dificuldade para conversar sobre o que estavam enfrentando.

 

 

Em um dos atendimentos, o enfermeiro cortou o cabelo de um paciente que enfrentava um quadro grave de depressão e aguardava encaminhamento para um tratamento especializado. Durante o procedimento, os dois conseguiram estabelecer uma relação de confiança.

 

Após receber alta, o paciente deixou uma mensagem que marcou Jonatas. “A base de toda a minha melhora foi você e sua equipe. Deixo isso claro”, relatou.

 

Para o enfermeiro, situações como essa mostram que o projeto não tem como objetivo principal a estética, mas a aproximação entre profissionais e pacientes.

 

“O corte de cabelo nunca foi sobre estética. Muitas vezes, é apenas a porta de entrada para que o paciente se sinta acolhido, volte a conversar, recupere o ânimo para viver e permita ser cuidado de forma integral”, afirmou.

 


Foto: Reprodução

 

A iniciativa ganhou apoio dos colegas de trabalho, que presentearam Jonatas com um kit profissional de barbearia. Desde então, ele passou a ampliar os atendimentos, principalmente entre pacientes que permanecem internados por semanas ou meses.

 

O enfermeiro ressalta que cada atendimento é realizado respeitando a vontade do paciente e seguindo cuidados rigorosos de higiene. Os instrumentos são higienizados individualmente após cada corte.

 

Jonatas também destaca que o trabalho não substitui nenhum dos cuidados médicos e de enfermagem, mas funciona como uma ação complementar de humanização.

 

“Cada profissional envolvido durante a internação do paciente é fundamental para a sua recuperação. Técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, médicos e psicólogos compartilham diariamente essa responsabilidade. O corte de cabelo representa apenas mais uma ferramenta de humanização que contribui para o paciente seguir o caminho da alta”, explicou.

 

O trabalho recebeu recentemente o reconhecimento do Projeto Servir, programa institucional que valoriza iniciativas de humanização desenvolvidas dentro do hospital.

 

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Para Jonatas, a homenagem representa um incentivo para continuar usando pequenos gestos como forma de tornar mais leve a experiência de quem precisa passar por um período de internação. 

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