No ensaio, os pesquisadores responsáveis verificaram que os voluntários em tratamento com o vorasidenibe passaram a apresentar uma mediana de sobrevida livre de progressão da doença de 27,7 meses
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no último dia 11 de agosto, o registro do medicamento vorasidenibe para uso e comercialização dentro do território brasileiro. Ele foi desenvolvido para atuar como uma terapia-alvo no tratamento de pessoas diagnosticadas com astrocitoma e oligodendroglioma, dois tipos raros de câncer que afetam o sistema nervoso central.
A eficácia do fármaco foi atestada no ensaio clínico Investigating Vorasidenib in Glioma (INDIGO), conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores e descrito em um artigo científico publicado no periódico New England Journal of Medicine em junho de 2023. “Foi a análise dessa pesquisa que a Anvisa utilizou como base para regulamentar o vorasidenibe”, explica o oncologista Donato Callegaro Filho, do Einstein Hospital Israelita.
No ensaio, os pesquisadores responsáveis verificaram que os voluntários em tratamento com o vorasidenibe passaram a apresentar uma mediana de sobrevida livre de progressão da doença de 27,7 meses. A janela é significantemente maior do que aquela apresentada pelo grupo placebo, que não recebeu a medicação, cuja mediana de sobrevida livre foi de 11,1 meses.
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Esse resultado representa uma redução de quase 61% no risco de progressão ou morte dos pacientes que receberam a medicação. “Isso é especialmente importante para preservar a qualidade de vida em pessoas mais jovens”, pontua a oncologista clínica Ligia Traldi Macedo, do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também atua como pesquisadora do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera).
Outro destaque da pesquisa é que o período até que uma nova intervenção fosse necessária também foi significativamente maior no grupo que tomou o medicamento: após 24 meses, 83% dos pacientes que usaram vorasidenibe não haviam precisado de outro tratamento, contra 27% dos que receberam o placebo.
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O fato de o vorasidenibe ser um comprimido oral e ter poucos efeitos colaterais facilita seu uso. “Esse fator pode torná-lo mais tolerável para os pacientes continuarem com o tratamento em longo prazo. Não é um medicamento curativo, mas é mais uma ferramenta para ajudar a ter um controle da doença por mais tempo”, observa Callegaro Filho.
Fonte: Revisata IstoÉ