Movimentações políticas e econômicas estão por trás de possível aproximação entre clubes e entidade, em encontro marcado para abril sem a presença de executivos da Libra e da FFU
A CBF convocou os 40 clubes das Séries A e B do futebol brasileiro para uma reunião no dia 6 de abril, na qual vai tentar retomar a dianteira para a criação de uma liga única no Brasil.
O movimento se deu, na visão da entidade, por demanda de clubes, que se viram prejudicados nas negociações comerciais dos blocos. Sobretudo os da Série B, que pertencem à Futebol Forte União.
Após São Bernardo e Náutico, que não pertencem a nenhum bloco, conseguirem contratos de transmissão melhores por intermediação da CBF, os 18 demais clubes reclamaram.
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Foi a senha para a CBF entrar em cena e pressionar o bloco através dos clubes de Série A, para que eles não se movimentassem da Libra para a FFU e a possibilidade de intermediação se reduzisse.
MENDES ENTRA EM CENA
Depois da movimentação na Série B, a FFU igualou os valores de São Bernardo e Náutico e conteve a suposta revolta, que dirigentes admitem ter sido de certa maneira incentivada pela CBF.
Mais uma vez a figura de Francisco Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes, entra em cena, com a articulação nos bastidores para que a liga única tenha toda a negociação de direitos feita pela CBF.
Segundo clubes, foi Mendes quem ajudou a produzir a carta em que os 18 clubes da Série B se revoltam com a FFU por valores equiparados de receita de transmissão. Três dias depois, o bloco igualou a quantia.
"Mais do que as medidas adotadas, o encontro reafirmou os valores de união da entidade, diálogo e cooperação que orientam o projeto coletivo e fortalecem a relação entre as partes, com protagonismo dos clubes no processo decisório", enalteceu a FFU na ocasião.
AVANÇO SOBRE CLUBES DA SÉRIE A
O movimento da CBF começou pela Série B e seguiu para a Série A. Mendes também seria o responsável por pressionar clubes a pressionarem a FFU e seus investidores.
Por trás disso, estaria a intenção da CBF de que a liga única ficasse debaixo de seu chapéu, e a entidade responsável por tratar da venda de direitos, além das questões de organização e arbitragem.
Apesar do aceno da FFU por entendimento, o desafio na reunião de abril será justamente dobrar os clubes que se associaram a esses investidores, que injetaram altos valores no bloco.
Na Libra, que debate divisão de receitas e tem briga na Justiça com o Flamengo, a CBF também surge como interlocutora capaz de fazer uma mediação — e conta com apoio do Palmeiras nessa missão.
O detalhe é que o encontro de abril não terá executivos dos blocos na mesa, apenas dirigentes de clubes. Na visão da CBF, a relação deve ser só com entidades esportivas, não grupos econômicos.
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Os clubes que pertencem a esses blocos admitem, por outro lado, que o peso político da CBF é inquestionável e se veem temerosos de não incluí-la nos debates sobre a Liga por temer retaliações.