Da interrupção no trabalho de agências de checagem à volta de recomendação de conteúdos políticos, veja o que muda nas políticas de redes sociais como o Facebook, Instagram, Whatsapp e Threads
O fundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou nesta terça-feira uma série de medidas que serão adotada nas redes sociais da empresa (Facebook, Threads e Instagram) para afrouxar as políticas de moderação de conteúdo.
O anúncio, feito em vídeo publicado pelo empresário no Instagram, já gera discussões entre especialistas, que avaliam possível risco de elevar a disseminação de conteúdo falso e radicalizado e falam da necessidade de regulamentação de redes sociais.
No vídeo, Zuckerberg fala que debates sobre potenciais danos do conteúdo on-line acabaram levando ao que chamou de casos de "censura" e defendeu a importância de proteger a liberdade de expressão, destacando ainda a influência de questões políticas no debate.
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— As últimas eleições também parecem um ponto de inflexão cultural para mais uma vez priorizar o discurso. Então vamos voltar às nossas raízes e focar em reduzir erros, simplificar nossas políticas e restaurar a liberdade de expressão em nossas plataformas — disse ele.
Entenda as medidas anunciadas por Zuckerberg a seguir, em 5 pontos:
1. SUBSTITUIR AGÊNCIAS DE CHECAGEM
A primeira medida anunciada por Zuckerberg está relacionada às organizações que fazem fact-checking, a checagem de fatos ou notícias. A relação das redes da Meta com essas organizações será substituída pelo que ele chamou de 'Community Notes' ('notas da comunidade', em tradução livre).
O sistema, como o empresário explica, é similar ao que existe no X, em que os próprios usuários podem oferecer críticas e contexto a certas publicações.
Nos últimos anos, cresceu o debate sobre como a desinformação poderia ser uma ameaça à democracia, o que levou à necessidade do fact-checking. Porém, o empresário insinua que as agências de checagem estavam perdendo a credibilidade por terem um viés político, indicando vê-las como de esquerda.
2. SIMPLIFICAR POLÍTICAS DE CONTEÚDO
A Meta vai remover restrições que aparecem quando os usuários falavam em assuntos como imigração e questões de gênero, que, para Zuckerberg são um 'tabu'.
"O que começou como movimento para ser mais inclusivo acabou sendo usado para silenciar opiniões e pessoas com ideias diferentes. Isso foi longe demais. Quero garantir que as pessoas possam compartilhar suas crenças e experiências nas nossas plataformas", disse.
3. NOVA ABORDAGEM NA EXECUÇÃO
Se até então existiam filtros que escaneavam textos para encontrar quaisquer violações nas políticas da plataforma, agora as redes da Meta vão focar esses filtros para localizar conteúdos ilegais, que serão denunciados.
O problema do funcionamento atual, de acordo com ele, é que filtros cometem erros e tiram do ar muitos conteúdos que não deveriam.
4. VOLTAR COM CONTEÚDOS POLÍTICOS
A plataforma voltará a entregar o que o empresário chamou de 'conteúdo cívico', que seriam publicações sobre política. Os algoritmos da Meta haviam parado de recomendar posts do tipo, já que houve demanda da comunidade para ver menos esses assuntos, que geravam estresse. A ideia era priorizar conteúdos pessoais.
— Mas parece que já estamos em uma nova era agora e estamos recebendo feedbacks de pessoas que querem ver esse conteúdo de novo. Então vamos voltar com isso no Facebook, no Instagram e no Threads — disse.
5. MUDAR EQUIPES DE MODERAÇÃO DA CALIFÓRNIA PARA O TEXAS
A Meta decidiu deslocar suas equipes de moderação da Califórnia (estado americano progressista) para o Texas (estado conservador).
— Como trabalhamos para promover a liberdade de expressão, acho que isso irá ajudar a construir confiança para fazer esse trabalho em lugares onde há menos preocupações sobre os vieses dos nossos times.
PRESSÃO CONTRA 'CENSURA' EM OUTROS PAÍSES
Ao final de sua fala, Zuckerberg ainda disse que pretende trabalhar com Donald Trump para pressionar os governos ao redor do mundo que estariam promovendo censura em conteúdos de redes sociais, na sua visão.
Ele menciona o que seriam "Cortes secretas" na América Latina que podem ordenar que empresas tirem conteúdos do ar, mas não cita diretamente o brasileiro Supremo Tribunal Federal (STF), e diz ainda que a China ainda impede aplicativos de funcionar em seu território.
A menção lembra o episódio em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impediu o X de atuar no Brasil durante cerca de 40 dias, até que a rede social cumprisse exigências legais determinadas em decisão judicial.
Ainda assim, ministros do STF se posicionaram sobre a decisão de encerrar o ‘fact-checking’ nos EUA minimizando os possíveis impactos da mudança no Brasil, já que por enquanto a alteração está restrita aos EUA e não afeta a operação da plataforma em solo brasileiro.
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As mudanças foram comemoradas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a Meta foi "provavelmente" motivada por suas ameaças contra Zuckerberg.
Fonte: O Globo